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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Um Recado Divino

28/05/2015


É muito fácil falar de Deus e suas maravilhas. É obvio. Praticamente banal. Todos sabem que ele é bondoso, salva, liberta de vícios e cura doenças impossíveis de serem curadas. Falei alguma besteira? Estou errado? Não, claro que não. E os sinais que ele envia constantemente, sabe interpretar? Ele nos avisa o tempo todo sobre perigos eminentes. Se no ano de 2004 eu tivesse prestado atenção nos sinais que Ele enviou, com certeza não teria me acidentado de moto. Recentemente, se eu tivesse prestado atenção nos sinais, talvez ainda estaria empregado. Mas Deus é bom, muito bom. Esses tempos, durante uma noite sem sono, Ele me deu uma resposta para meus problemas profissionais; mostrou-me onde eu estava errando. Não foi isso que mais chamou minha atenção. Não é o motivo que me faz escrever. O que Ele não deixou eu fazer no dia seguinte, sim, que me faz escrever. Desta vez interpretei corretamente os sinais e não cometi uma besteira...
Madrugada de quinta-feira, 28 de maio de 2015. Deitei na cama, peguei o controle e busquei por algum filme interessante. Nada. Desliguei a TV e me preparei para dormir. Rolei de um lado para o outro na cama, e nada do sono vim. De repente, as imagens da minha demissão surgiram. Minha gerente me chamando com um papel na mão, explicando sobre à crise e dizendo que precisava me demitir. "Por que fui demitido, meu pai? Me explica. Dai-me uma resposta. Onde estou errando? Qual meu problema?" Questionava Deus, deitado na minha cama. Sem oração, sem sinal da cruz, ou seja lá o que for. Somente eu e Ele. Precisava de respostas, afinal, não faço mal para ninguém e sempre busco ajudar as pessoas. Por que eu fui demitido? Então, um nome surgiu nos meus pensamentos. Um nome nada a ver com o Sistema FIERGS. A partir desse nome fiz uma série de cruzamentos, desde os tempos de Zero Hora até o Sistema FIERGS. O gap estava ali.


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O Diogo era supervisor no Grupo Apisul, onde atuei por mais de 1 ano. Logo que conheci ele, notei sua habilidade e experiência com Cadastro. Disse para ele: "Tu vai ser coordenador. Tu nasceu para vencer." Na época ele deu risada. Argumentou que os atuais coordenadores eram bons. "Depois tu me diz", falei e encerramos o assunto. Com o passar do tempo, brincava com ele, chamando de futuro coordenador. Ele sorria. O tempo passou e muitas coisas aconteceram. Os coordenadores acabaram se despedindo e saindo da empresa. Quem foi escolhido o novo coordenador? Exatamente. O Diogo. "Eu te falei." Transbordava de emoção, assinando documentos como coordenador. Ele merecia, pois se dedicava ao trabalho. Certa vez estava na frente dele, aguardando uma resposta, quando seu colega do lado estava com dúvida sobre como usar crase numa determinada frase. O Diogo explicou uma regra. Me intrometi na conversa e falei: "Existem 26 regras para usar crase." O que o Diogo me disse, a maneira que se posicionou, deixou-me muito triste. Mas por pouco tempo. Sei que falou sem maldade, muito mais para me ajudar. Nunca prestei muita atenção nas palavras. Na madrugada de quinta-feira, tudo fez sentido e achei meu erro.

Sexta-feira acordei disposto a escrever e postar no Facebook. Queria mostrar para as pessoas que havia encontrado uma falha incrível, que estava pronto para mudar e ser uma pessoa melhor. Ao despertar minha mãe falou: "Faltou luz. Mas já voltou." Minha primeira reação foi olhar o modem, que demora voltar devido as quedas de luz. Estava tudo certo. Levantei sonolento, lavei o rosto e me preparei para almoçar. No meio da tarde liguei o computador e abri meu Facebook. Comecei a digitar. Faltava pouco para acabar. Só mais umas frases. Faltou luz. Perdi meu texto. Alguns momentos e a luz voltou, porém, meu modem não queria ligar. Tudo bem, escrevo no Word e depois copio e colo. Fácil. Escrevi, escrevi, escrevi... Parei um pouco para ler. Algo não estava certo. "Se algum recrutador ler isto no meu face, com certeza vai interpretar errado. Meus amigos vão rir. Meus contatos profissionais vão achar que enlouqueci", pensei durante a leitura. Decidi apagar tudo e escrever outra coisa. Iniciei um novo texto. "Quer saber, não vou escrever nada." Apaguei tudo e sai da frente do computador. E o modem ali, se tremendo, sem acender as luzes completamente. Fiquei assistindo TV, pensando no que escrever. Mas sera que deveria mesmo escrever? Tinha dúvidas. Reiniciei o modem umas 50 vezes, e nada. Melhor agir, do que teorizar. Desisti da ideia de escrever, de mostrar para as pessoas que havia encontrado uma falha. As luzes do meu modem retornaram às 2 horas da manhã.
Não era para escrever e aquilo foi um sinal claro. Meu modem nunca ficou tanto tempo sem ligar. Que besteira estava prestes a postar. Seria muito polêmico, além de demonstrar certa fraqueza. Esta é a parte dos sinais. Entendeu? E assim acontece, sempre, basta interpretar os sinais. Quando deseja muito fazer alguma coisa, mas algo saí errado, é o momento de refletir e pensar bem no que vai fazer. Muitas vezes ignoramos os sinais e seguimos em frente obcecados. O que acontece? Acabamos nos envolvendo em situações desnecessárias. Depois pensamos: "Se eu não tivesse feito isso, não acontecia aquilo." Para e pensa, interprete os sinais. E Deus, onde entra Deus nessa historia? Deus usou o Diogo para me dar um recado, que ignorei na ocasião. Quando supliquei uma resposta, Ele trouxe na minha mente as palavras que o Diogo me disse, que se encaixou perfeitamente com meus problemas. Afinal, o que o Diogo me disse? Não escrevi no face e, certamente, não escreverei no blog; já recebi todos os sinais que devo guardar o conhecimento obtido e aplicar na próxima empresa que atuar. Deus não se manifesta somente na bíblia, na fala do pastor, num louvor ou nos irmãos da igreja. Deus usa as pessoas para falar contigo, de forma geral. Qualquer pessoa. Presta atenção quando falarem contigo. Quem sabe Deus está te enviando um recado divino...



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Até logo, Sistema FIERGS



A vida não é justa e todos sabem disso. O destino têm suas ironias. Era para ser uma segunda-feira como qualquer outra, repleta de trabalho e desafios que surgem no decorrer do dia. Todavia, não foi exatamente o que aconteceu. Em todas as empresas que trabalhei, estava ciente quando fui embora. No Grupo RBS, quando os cortes começaram, não tinha dúvida; totalmente desalinhado com a equipe. Sofri muito, mas sabia que aconteceria. No Correio do Povo, eu pedi demissão. Escolas e Faculdades QI, apenas cumpri contrato. No Grupo Apisul, novamente pedi as contas e fui para o Sistema FIERGS. Um lugar lindo, liberdade para pensar, agir e criar. Pessoas inteligentes. Sensacional. Queria crescer, evoluir, mostrar todo meu potencial. Acompanha as notícias? Sabe que o governo cortou verbas da Industria, além da economia estar caindo cada vez mais, não é? Tudo isso parece besteira, que não vai alterar a vida de ninguém. Pois então, veja bem, afetou minha vida profissional; destruiu com meus sonhos dentro do Sistema FIERGS. Chorei muito, muito, demais... Nem almocei e fiquei vagando pelo centro da cidade de Porto Alegre, após meu exame Demissional. Eu não sou incompetente. Acredito que me desenvolvi bastante, me articulei, fiz amizades; criei relatórios, planilhas, fiz levantamentos e estava forte na qualidade (6S) Vou escrever (ou tentar) sobre o que aconteceu hoje e o que senti. Eu não sofri sozinho, mais pessoas sofreram...
 Concentrado no trabalho com os fones no ouvido, volume baixo, para ficar atento caso me chamassem. De repente, do nada, ouvi meu nome. Levantei a cabeça e vi que minha gerente estava parada na porta de uma sala. Parei tudo que estava fazendo e caminhei ao seu encontro. Achei que me passaria alguma demanda, falaria sobre algum processo novo. Ela estava com um papel na mão. No começo não dei bola, nem prestei atenção, no entanto, assim que começou sua oratória, quase desmaiei. Ela falou sobre a Industria e os cortes que estavam acontecendo. Enquanto ela falava, percebi no seu olhar uma tristeza gigante. Por muito pouco, ela não chorou comigo. Ela disse que não tinha o que fazer, que precisava desligar alguém. E, no momento, este alguém era eu. As lágrimas escorriam pelo meu semblante. Com muito pesar assinei o documento. A gerente solicitou que uma colega me levasse ao DP. Percorri o caminho quieto. Chegando lá, peguei o documento para fazer o exame demissional e já fiquei sabendo quando precisava voltar e levar minha carteira de trabalho. Novamente fiquei emocionado, mas contive o choro. Eu precisava encontrar duas pessoas: O Sérgio e o Alexandre. Mais que colegas de trabalho, amigos mais velhos, que saberiam confortar minha dor. Ao entrar na sala do Sergio, uma explosão de sentimentos. Ele sempre alegre: "O que manda, meu amigo?" Caminhei um pouco e sentei numa cadeira.
Tá de brincadeira, né? Foi a primeira reação dele. Minutos depois, chegou o Wagner: "Trick Trick Rolimã?" Tradução: Tudo legal?. Falei para ele que não estava, que eu havia sido desligado. Ele ficou sério. Baixei minha cabeça e comecei a chorar. Chorei muito. Falava do quanto queria ficar, do quanto queria crescer e me desenvolver. Chorava que soluçava. Uma criança desesperada. Senti meus sonhos, uma vez mais, escorrendo por entre meus dedos. Dor, muita dor; sensação de total impotência diante os fatos. Desnorteado. Destruído. Sem poder de reação. o Sergio e o Wagner me consolavam, me desejavam força. O tempo foi passando, as lágrimas pararam de escorrer. Levantei, pedi licença e fui procurar o Alexandre. Infelizmente, ele não estava na casa; serviço externo. Retornei para sala do Sergio. Subjuguei que estava forte, que poderia voltar e fazer um discurso de despedida na GESAD. Chamei minha gerente e pedi para ela me levar na sala, que queria fazer uma fala rápida. Ela concordou e me levou. Solicitou que todos parassem, que eu queria me despedir, que era meu último dia na casa. Eu achei que estava forte...
Comecei agradecendo e me desculpando, caso tivesse magoado alguém ou agido de má fé. Agradeci o aprendizado, reforcei que estava indo embora não por incompetência, e sim, por que a crise havia me pegado... Comecei a chorar lentamente. Devagar tirei meus óculos. Não tive forças para continuar; as lágrimas despencaram sem parar. Botei a mão nos olhos e virei de costas. Muitos aplausos. Depois de algumas voltas no Sistema, me despedindo de muitas pessoas, retornei e abracei meus colegas da GESAD, agradeci e fui embora sem olhar para trás. Ainda tinha mais uma parte importante que precisava encarar; Recebimento e Expedição. Foi exatamente o que fiz. Pedi para meus colegas pararem o trabalho, que eu tinha uma informação importante para passar. Falei tudo que havia acontecido. Eles me olhavam sem reação. Pareciam não acreditar. Todos vieram me abraçar. Gurizada guerreira que sempre ficará no meu coração. Estava encerrado um ciclo. Curto, diga-se de passagem. Dizer adeus? Até logo, não sei o que vai acontecer depois da crise. Talvez lembrem meu nome. Quem sabe me chamem para uma prova. Ou não. Que tristeza. Como vou olhar as pessoas e dizer que estou desempregado, não faço nem ideia. Nem quero pensar nisso. Tenho que praticar minha fé...

Praticando a fé.  

Eu não sei porquê certas coisas acontecem comigo. Mas deve haver um motivo, uma razão maior. Nada é por acaso, e é nisso que acredito. Falar em Deus é fácil, difícil é acreditar e ter fé. Fé que dias melhores virão. Até poucos dias atrás escrevi sobre como me sentia no ambiente de trabalho, de como era importante estar na empresa. Enfim, descrevi minha motivação diária. Agora preciso parar, pensar, relaxar minha mente. Deus... Sei que meu caminho é repleto de glórias. Vai ser uma fase difícil, porque não vou esquecer a FIERGS e tudo que ela representa no meu aprendizado. Queria muito acordar e ir trabalhar amanhã, mas não será possível; vou lá somente levar minha carteira de trabalho. Deus deve ter planos melhores para mim. "E mesmo que eu ande pelo vale das sombras e da morte, não temerei mal algum, porque tu senhor, está comigo, e em ti, eu confio." Que seja feita a vontade de Deus...


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O pior vendedor


Sexta-feira 17 de abril de 2015



Eu saí mais cedo do serviço porque queria muito ir ao centro comprar um livro. Às 16:00 horas eu estava descendo do ônibus e caminhando em direção à rua Andradas. Havia uma grande movimentação de pessoas. Parei na esquina e olhei para o lado esquerdo; avistei uma loja da Claro. Tentador, tendo em vista que precisava comprar um chip virgem para recuperar meu número. Analisei rapidamente e subjuguei que não seria necessário, já que estou sem celular. Melhor comprar o celular primeiro, depois o chip. Segui caminhando, mais alguns metros e estaria na livraria Saraiva. Olhei os livros na vitrine; não vi nada que chamasse minha atenção. Decidi entrar e procurar por tútulos interessantes. O primeiro livre que peguei na mão, falava sobre como a revista Playboy fortaleceu seu Marketing em tempos difíceis. "Nos bastidores da Playboy", era o título do livro. Queria ler uma historia, algo que ativasse minha imaginação. Andei pela livraria e olhei muitos títulos, mas nenhum me agradava o bastante para comprar. Retornei a pratilheira e peguei o livro sobre Marketing, no entanto, algo me fez desistir e sair da livraria. Era muito cedo, minha aula estava longe de começar, então, pensei que seria saudável passear um pouco. Talvez, poderia ir no Correio do Povo e tentar conversar com meu amigo. Outra ideia frustrada, já que ele é diretor e deveria estar repleto de demandas. Bom, quero comprar uma camisa da Vitorino e um terno, seria interessante pesquisar preços. Não... Eu vou na loja que sempre compro, onde agora conheço um vendedor, indicação do Éder. Eu cheguei na frente da loja e encontrei dois vendedores na porta. Um eu conhecia, mas foi o outro que pulou na frente para me atender. Queria ver quais eram suas técnicas. Que decepção...
Entrei na loja e o vendedor entrou junto comigo. Moreno escuro, semblante desgastado, com o cabelo um pouco comprido. Aparentava ter mais de 40 anos. Bem mais. De cara olhei as camisas, uma mais bela que a outra, diga-se de passagem. O vendedor se posicionou do meu lado. Não gosto de enrolar vendedores, portanto, decidi ser sincero.

- Olha só, estou olhando umas camisas, porque pretendo comprar mês que vem uma camisa e um terno. Quanto custa as camisas?

A resposta dele foi seca, direto ao ponto. Nenhum vendedor jamais me disse algo parecido. Era nítido que ele não queria mais me atender.

- Então, quando estiver com dinheiro tu volta. Não vale à pena te mostrar nada, porque estamos sempre recebendo mercadorias novas. O que te mostrar hoje, pode ser que mês que vem nem tenha mais.

Eu não sabia o que fazer, nem como agir. Perguntei sobre os ternos. Lentamente me levou para os fundos da loja e me mostrou uma série de ternos. O preço era entre R$ 700,00 e R$ 900,00. Um recado claro: "Tu não têm condições de comprar. Vá embora." Agradeci o atendimento, virei as costas e saí. Na porta, o vendedor que eu quero comprar, me reconheceu e me cumprimentou. Sorriu. Conversei um pouco, disfarcei, me despedi e segui meu rumo. Após aquele tratamento, queria muito tomar um café, e foi exatamente o que fiz. Fiquei sentado numa lancheria, pensando no que aconteceu. Tudo bem, faz parte. Andei mais um pouco pelo centro e a noite caiu; hora de ir para faculdade. No caminho, fiz questão de passar em frente a loja. Meu vendedor estava parado, quase no meio da rua. Parei e contei para ele o que havia acontecido na minha primeira passagem por ali. Disse para não esquentar a cabeça. Mostrou-me na vitrine ternos mais baratos e de qualidade (em torno de R$ 300,00). Ainda me apontou uma pessoa e perguntou se eu conhecia. Era o senhor Alex, pai do Éder. Sim, claro que conheço; ele é vendedor em outra loja, e só compro com ele. Agradeci meu vendedor e parti para faculdade. Ratifiquei que voltaria mês que vem para comprar com ele.
Quando se é vendedor é preciso saber prospectar clientes. Qualquer pessoa que entre numa loja, certamente tem um cartão de crédito. Eu tinha. Se ele tentasse, pelo menos tentasse aplicar alguma técnica, talvez eu compraria. Por que não? Não posso dizer que compraria o terno, mas estava habilitado a comprar uma camisa da Vitorino, e estou ciente do preço. Bastava conversar um pouco, ser gentil... Mas não, ele fez justamente o contrário. Quem sabe teve um dia ruim de vendas, e decidiu descontar em mim. Nunca havia passado por tal situação. Triste. Os vendedores são frequentemente testados, porém, poucos vendedores conseguem reverter e executar uma venda. Não tenho dúvida: o pior vendedor do mundo. Não relato o nome da loja, nem do vendedor que quero comprar, tudo para preservar os envolvidos e a loja em questão...


terça-feira, 7 de abril de 2015

A psiquiatra



É difícil quando temos um problema e não conseguimos resolver. Pior ainda, é ter que buscar ajuda profissional. Especializada. Carrego um problema comigo desde 2012. Eu jurei que havia resolvido tudo, que estava totalmente curado. No entanto, verdade seja dita, jamais resolvi o problema, apenas amenizei e controlei. Eliminar? Não. Decidi buscar ajuda profissional, antes que meu problema chegue num ponto que me faça perder muitas coisas valorosas. A imaginação é livre. Meu problema é incomum, nada tem a ver com drogas, roubos ou qualquer coisa ilícita. Tenho vergonha de relatar, e não pretendo fazer isso. Enfim, qual profissional seria ideal para o meu caso? Psicólogo ou Psiquiatra? A dúvida permaneceu na minha cabeça durante tempos. Meus amigos e amigas do Facebook me deram diversas sugestões, sem jamais questionar o que tenho. Subentendi que era uma grande demonstração de respeito, de carinho e solidariedade com minha opção de me manter em silêncio. Desde então, não escrevi mais minhas historias, tampouco demonstrei meu ponto de vista sobre os diversos acontecimentos cotidianos. Hoje era minha segunda consulta com a psiquiatra. Na primeira já fiquei desconfiado. Veja bem o que me aconteceu na consulta. Saí revoltado do consultório...
Era minha primeira consulta com uma psiquiatra. Eu estava um pouco nervoso e sem jeito para contar meu caso. As 16:40 era o horário da consulta. Cheguei antes e fumei um cigarro. Ao conversar com a moça da recepção, o primeiro susto ao ouvir ela falar no telefone: "Ela já foi embora?". Meu coração acelerou. Então, a moça da recepção disse que ela estava me esperando, que eu seria o último paciente. Indicou o corredor e o número da sala que deveria ir. Ao chegar no local que ela indicou, a psiquiatra estava parada na porta me esperando. Parecia com pressa. Entrei no consultório e me apresentei. Relatei meu problema. Adoraria que ela me questionasse, perguntasse detalhes. Mas não foi assim. Simplesmente disse: "Vamos iniciar o tratamento." Me deu um remédio e disse para tomar toda noite, que deveria retornar em 10 dias. Perguntei se tinha como eu me curar. Ela foi seca. "O processo é lento." Nem disse que remédio era, seus efeitos e qual sua finalidade. Tudo bem. Decidi fazer exatamente o que ela mandou. Na primeira noite passei mal, praticamente desmaiei ao deitar na cama. Na segunda noite, não tomei. Após meus colegas de trabalho chamarem minha atenção, optei tomar sem parar. Os efeitos amenizaram e tudo transcorreu tranquilamente. Se passaram os 10 dias e marquei uma nova consulta. Fiquei triste com o que constatei.
Dessa vez minha consulta era na parte da manhã. Para ser mais exato, às 08:20. "Hoje ela vai conversar comigo, buscará entender o que está acontecendo, as causas. Tudo vai ser diferente", pensava enquanto estava sentado no ônibus. Cheguei antes do horário, me apresentei na recepção, paguei a consulta e fui para o corredor. Haviam mais pessoas naquele corredor, e a maioria perto da sala da psiquiatra. Fiquei tranquilo, afinal, estava antes do meu horário. Abri minha bolsa e puxei um livro. Calmamente comecei a ler, ler, ler... e o tempo passando. Notei que a psiquiatra passou por mim. Rapidamente olhei o relógio. 08:40. Ela estava muito atrasada; 20 minutos para mim, nem quero imaginar quanto tempo estava atrasada em relação aos demais pacientes. Caminhava como estivesse numa passarela; não olhou para ninguém, nem cumprimentou. Não gostei nenhum pouco daquela atitude. Ela chamou o nome de uma mulher que, após entrar no consultório, não demorou 2 minutos e saiu. Estranho. Bom, cada caso é um caso. Chamou outro nome. Novamente a cena se repetiu; em menos de 2 minutos saiu do consultório. Fiquei preocupado. De repente, entre um paciente e outro, eis que chama meu nome. Entrei no consultório, sentei de frente para ela e reparei na camisa que ela usava; rosa pink, da Dudalina. A conversa começou:
- E aí, tomou o remédio?
- Sim.
- Alguma reação?
- No primeiro dia senti muito sono. Fiquei um pouco mal. Depois foi normal.
- Sentiu vontade de fazer alguma coisa?
- Não.
Vi que ela anotou na minha ficha: "Melhoras."
- Bom, então vamos seguir o tratamento. Vou te dar remédio para mais 20 dias, depois tu retorna.

Ela abriu um armário que estava perto, onde havia dezenas de remédios iguais ao que eu estava tomando. Pegou um pacote e me deu. Apertei a mão dela, agradeci e saí do consultório, bufando de raiva, me sentindo um parvo. Prometi não retornar e buscar outro profissional.
Meu caso é psicológico, não preciso de medicamentos, preciso que alguém identifique as origens do meu problema e me ajude a solucionar. Olha só o que a psiquiatra fez: deu um remédio sem nem ao menos me dizer seus efeitos, no que me ajudaria. Obviamente conversei com outra pessoa, que me informou o que eu estava tomando: Antidepressivo. Vou me curar tomando antidepressivo? Ela chegou atrasada no consultório, e não demonstrou nenhuma preocupação. Como vou me tratar com quem não respeita o próprio horário de trabalho, que não se preocupa com seus pacientes? Sou Administrador, prezo a qualidade nos serviços que são prestados. Não pretendo dar continuidade com outra(o) psiquiatra; quero um(a) psicólogo(a). É necessário conversar, abrir meu coração e relatar tudo que me incomoda, como me sinto em determinadas situações; quero aprender como agir e ser mais forte que meus extintos. Estou ciente que vou gastar mais, porém, não me preocupo nem um pouco, desde que tenha retorno meu investimento; é para meu próprio bem. Eu vou lutar, não desistirei da batalha. Não desanimarei diante obstáculos que surgem. Acreditei que uma psiquiatra conversaria comigo...






terça-feira, 10 de março de 2015

O homem que emagreceu



Demorei muito tempo para perceber que ele era tímido. Ele me cumprimentava sem jeito. Enquanto eu conversava com meus colegas de trabalho, ele ficava próximo e falava pouco. Pensei que não gostava de mim. Nada como o tempo para ajustar as coisas, para firmar uma amizade verdadeira e honesta. Meu novo amigo é baixo, gordo, bem gordinho. Tudo bem, o que importava, é que tinha um coração gigante. Toda vez que conversávamos, principalmente na parada, notava que ele tinha um olhar triste. Pensativo. Alguma coisa incomodava. Nunca quis fazer perguntas. O que aconteceu com ele em menos de 1 ano, é muito satisfatório. As pessoas falam em superação, e, às vezes, nem sabem o significado verdadeiro dessa palavra, desse sentimento feroz que nos domina em busca de um objetivo. O Valdoir sabe o que é ultrapassar limites e buscar a verdadeira superação. Olha só o que aconteceu com ele...
Os intervalos para tomar café demoravam 10 minutos. O meu amigo tomava um café para ninguém botar defeito. Comia muito. Bom, o dinheiro é dele, a vida é dele, ninguém jamais falaria alguma coisa, mesmo que fosse para o bem dele. Os meses passaram e a cena se repetia. Porém, num belo dia, conversando na parada, meu amigo anunciou: "Entrei para acadêmia. Vou 3 vezes na semana. É o que consigo pagar, no momento. Caminho na esteira e ando de bicicleta. Quero emagrecer. Não dá mais." Fiquei muito feliz de ouvir um depoimento tão sincero. O Valdoir que comia que nem um louco, alterou radicalmente sua alimentação: parou de comer pão, cortou o refrigerante e passou a comer saudavelmente; via ele comendo bolacha integral no café. No começo achei que voltaria a comer normalmente, até porque, seguir uma dieta rigorosa, não é tão simples como parece. Entretanto, quem se dedica verdadeiramente, pode até demorar, mas o resultado aparece. Reparei no meu amigo, cada manhã quando chegava na empresa. Surpreendente.
Ele emagreceu de uma forma que todos ficaram espantados. O baixinho gordo, 'sem pescoço', deu lugar para um baixo magro, com um pescoço no seu devido lugar. "Vai sumir. Tá fino esse rapaz", dizia para ele antes de entrar na empresa; geralmente eu chegava cedo e fumava um cigarro antes de começar a trabalhar. Ele me olhava e sorria, feliz com o que ouvia, claro. Acabei saindo da empresa, busquei um novo desafio profissional para minha carreira. Apesar da falta de convivência, acompanhei as fotos que postavam no Facebook. Não me surpreendeu seu físico; cada vez mais magro. Na última conversa que tivemos, no chat do face, relatou que já havia perdido 34 quilos. Foi mais além durante nossa conversa. "Minha meta é perder 50 quilos. Falta pouco." Tudo isso, acredite se quiser, em menos de 1 ano. Isso é superação, é acreditar que é possível mudar. Quando atingir sua meta pessoal, é partir para musculação.
Meu amigo não estava satisfeito com seu peso. O que ele fez? Buscou alternativas para ficar de bem com a balança. Quantas pessoas têm problema com seu peso? Inúmeras. Quantas tentam reverter a situação atual? Pouquíssimas. Não estou dizendo que é fácil emagrecer, que é uma simples receita mundial e só basta querer. É uma tarefa árdua, que exige muitos esforços. Não basta querer, é preciso ter força de vontade. O Valdoir superou seus limites e não desistiu. Ele chegou a pesar 124 quilos, hoje, pesa somente 90 quilos. Sensacional. [!] Eu admiro muito ele, e acredito que não sou o único. Talvez, unicamente talvez, as pessoas tenham dificuldade de demonstrar admiração por sua vitória particular. Mais pessoas deveriam ser como o Valdoir. Tirando o fato de emagrecer, é um cara muito querido, brincalhão e sorridente. Um ótimo profissional e, acima de tudo, um bom amigo. Parabéns, e que mais desafios venham na tua jornada...


Valdoir com seus 124 quilos.




 Valdoir com 90 quilos. E não para de emagrecer.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O mercado de trabalho



O mercado de trabalho nos proporciona inúmeras emoções. Tais emoções podem ser boas ou ruins, dependendo da empresa, do momento profissional. Existem vários tipos de empresas: Privada, Multinacional, Pública, empresa grande e pequena. Da mesma forma, categorias de trabalhadores, do operador ao estratégico. O mercado está aberto para todos profissionais, basta analisar as oportunidades que surgem. Entretanto, as oportunidades não veem até nós, mas sim, nós que devemos procurá-las. Se tu estás desmotivado com teu trabalho, não concorda com o planejamento da empresa, tampouco com as lideranças, é a hora de olhar o mercado e lançar o currículo.
O mercado de trabalho valoriza quem está trabalhando, portanto, não peça demissão para, só então, procurar um novo emprego. É loucura fazer isso? Praticamente um suicídio. Nas entrevistas, é normal perguntarem: "Por que saiu da última empresa?" Se disser que ficou desmotivado e pediu para sair, óbvio que o (a) entrevistador(a) vai deduzir: "Se ele se desmotivar aqui, também vai pedir para sair." Agora, quando tu está trabalhando e busca um novo emprego, as empresas te enxergam de um jeito diferente; elas sabem que tu quer um desafio na carreira, que quer muito mais que dinheiro; esta em busca de satisfação profissional. Outra grande vantagem de procurar um emprego estando empregado: Avaliação. Empregado poderás analisar bem a proposta, ver os benefícios que a empresa oferece, fazer cálculos sobre o salário proposto. Enfim, as vantagens e desvantagens, sempre pegando como parâmetro a empresa atual. Porém, quando está desempregado e busca uma oportunidade, o que vier é bem vindo, já que está desempregado e precisa de uma recolocação profissional; não existe barganha. Procure outro trabalho, trabalhando. Nunca esqueça.
Investir na carreira é um diferencial para quem busca uma oportunidade no mercado de trabalho. O que tu faz com o dinheiro que ganha? Baladas intermináveis, bebidas, viagens? Legal, sinal que está curtindo a vida. Mas, para o mercado de trabalho, nada disso interessa. É apenas desperdício. Tem medo de entrar direto para faculdade? Que tal um curso profissionalizante? Ou então, quem sabe um curso técnico? Independente da escolha, é preciso estudar, se aperfeiçoar. Um profissional é moldado a partir dos estudos, da visão que tem sobre o mercado. Caso contrário, será um bom executor de tarefas, e só. Portanto, ao invés de investir em coisas banais, procure fazer algum curso que abra tua visão. Não adianta fazer cursos que não vão aperfeiçoar teus conhecimentos profissionais. Uma ótima dica, é fazer cursos de informática. Na atualidade, praticamente tudo é feito através do computador. Quem entende de informática, já é um grande passo na frente da concorrência por um bom emprego. Acredite, muitos gestores não sabem mexer em Excel, Word ou Power Point. Ao caçar uma nova oportunidade, não deixe de estudar.
Não se desgastar com gestores e colegas de trabalho. Eles são a base para uma troca de emprego de forma natural. Sabe por que? Gestores conhecem outros gestores; empresas trocam informações o tempo todo, principalmente os Recursos Humanos. E os colegas de trabalho podem trocar de emprego, e, por que não, indicar outros profissionais. É besteira achar que não, subjugar que somos os melhores. Todos nós precisamos de alguém, de uma mão amiga. Entende de política? A política mais básica de todas: A boa vizinhança. Não precisa fingir sentimentos, mas, com certeza, precisa ser educado. Não adianta ficar reclamando do trabalho, achando que teu gestor é isso ou aquilo. Se achas que têm mais capacidade, mas não está sendo valorizado, vá em busca de uma nova oportunidade. Esqueça o fundo de garantia e a multa de 40%. Lute por dias melhores. Ou, se preferir, fica desmotivado reclamando de tudo. Cuidado para não levar uma justa causa...







quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Amigos não mudam



É muito difícil encontrar amigos verdadeiros nesta vida. Raridade. As pessoas seguem rumos diferentes, conhecem outras pessoas. É um ciclo vicioso que ninguém escapa. "O fulano mudou comigo, nunca mais me procurou." Já escutei este tipo de argumento diversas vezes. Será que amigos mudam ou evoluem? Eu poderia escrever sobre diversos amigos, entretanto, decidi escrever sobre o Michel Oliveira, que conheço por Oliveira. Ele mudou bastante desde que conheci ele. Poderia até dizer: "Ele mudou comigo." Seria injusto fazer tal afirmativa. Amigos não mudam. Jamais. Antes de julgar erroneamente, é preciso compreender. Amigos evoluem...
 O Oliveira era vigilante na empresa Rudder, que presta serviço ao Grupo RBS. Todos os dias cruzava com ele, mas não cumprimentava. Um homem branco, alto, semblante fechado. De fato tinha perfil de vigilante. Observador que sou, notei que muitas pessoas passavam por ele e sorriam, brincavam. Ele sempre correspondia com um belo sorriso, seguido de alguma piada. Colorado fanático, não perdia uma oportunidade de cutucar os gremistas. O tempo foi passando, até que começamos a conversar, muito rapidamente. "Bom dia, tudo bem? Como foi o final de semana?" Era o máximo que conversávamos. Por saber que ele era colorado, comecei, como quem não quer nada, perguntar sobre o time dele. Então, além do futebol, começou assuntos aleatórios de todos os tipos. Tornou-se natural ver o Oliveira e conversar, alguns minutos, antes de iniciar minhas atividades no trabalho. Um homem sério, família, apaixonado pela mulher e suas filhas. Certa vez, antes de ir para casa, encontrei ele de bermuda e regata. Carregava na mão uma bolsa. Notei que estava acima do peso, uma situação atípica, já que o uniforme não deixava aparecer as gorduras localizadas. Eu sabia que ele estava indo treinar. "Vai ter que ficar 3 meses na esteira, sem parar", pensei comigo. Precisei partir do Grupo RBS, minha falta de experiência estava acabando comigo. Não me despedi do Oliveira. Continuamos amigos através do Facebook. E, justamente no Facebook, nossa amizade se fortaleceu. Ele me apoiou em um momento fundamental.
Fiquei desempregado por mais ou menos uns 3 meses, no ano de 2013. Neste período difícil, tentei vender alguns perfumes, pois estava precisando de dinheiro. "O meu bruxo, divulga no meu face teus produtos. Fica a vontade. Tamo junto." Ele tentou me ajudar na divulgação, e eu marquei muito aquele gesto de bondade. Antes dessa situação, ele já havia me surpreendido. Escrevi um simples texto, solicitando os amigos que me amassem, sem vergonha nenhuma, que escrevessem 'eu te amo' nos comentários. Adivinha quem foi o primeiro? Ele mesmo. O Oliveira é um cara que sempre participa do meu face, seja curtindo ou comentando. Não tenho porque duvidar da amizade do Oliveira, nem por meio segundo. Mas ele mudou durante algum tempo. O rosto bem barbeado, mudou. Ele começou a postar mais frequentemente sobre academias. Assinava 'Equipe Monster'. Até na televisão apareceu, numa reportagem sobre vida e saúde. Eu olhava tudo aquilo e ficava pensando: "Como um vigilante se torna instrutor de acadêmia?"  Inocência minha. Nas inúmeras conversas com o Oliveira, jamais perguntei sobre sua formação. Ele é formado em Educação Física. Nos dias atuais, ele trabalha em algumas acadêmias dando aula como personal. O Facebook dele é repleto de alunos. É visível que ele evoluiu, conheceu mais pessoas. Evoluir é uma coisa, mudar é outra, bem diferente. Sempre que procuro ele, conversa normalmente, como nos velhos tempos. Um homem simples, que não mudou sua essência. Amigos não mudam. Preste atenção antes de julgar alguém.
Depois de sair do Grupo RBS encontrei o Oliveira algumas vezes no centro de Porto Alegre. Sabe como ele agiu ao me ver? Sorrindo. Braços abertos. Perguntou como eu estava, as novidades. Conversou, como se me visse diariamente. Antes de julgar que alguém mudou, tenta conversar, convidar para sair. As pessoas não mudam o que elas são verdadeiramente. Elas apenas evoluem, conhecem outras pessoas, fazem novas amizades, aprendem coisas novas. O Oliveira é um exemplo de amizade que carrego comigo. Eu sei que, independente do momento que estiver vivendo, ganharei atenção e apoio.  E a recíproca é verdadeira; jamais negarei ajuda. Um amigo verdadeiro, chamado Oliveira, que o tempo e a distância não interferiu. Tenho inúmeros amigos que evoluíram, mas não me incluíram nessa evolução. É uma outra historia...

(Antes de encerrar este texto, olho meu face, e o Oliveira está prestando solidariedade para um ex colega dos tempos de RBS, que foi vitima de bala perdida. Compartilhou um link pedindo para o jogador D' Alessando ir visita-lo. O Oliveira tem um coração gigante, sempre disposto a ajudar as pessoas.)



Oliveira nos tempos de Vigilante.


Oliveira nos dias atuais.



domingo, 18 de janeiro de 2015

Sistema FIERGS



Trabalhar no Sistema FIERGS é um prazer indescritível. É a realização de um sonho trabalhista. Valeu à pena encarar uma prova e uma entrevista. Não foi uma entrevista com uma psicóloga, onde, na maioria das vezes, apenas testam o psicológico, sem nenhum conhecimento real do trabalho que precisa ser desenvolvido. Minha entrevista foi com a Luciane Medeiros, analista do processo ao qual pertenço. Ela é uma pessoa sensacional, com uma capacidade de compreender os colegas de trabalho que é fora do comum. O Sistema é gigante, com processos bem definidos e pessoas dispostas a oferecerem seu melhor. Não conheço todas as pessoas, não conheço todas as entradas e saídas que existem dentro dos processos. Mas, sem dúvidas, conheço a sinergia que toma conta do Sistema. Após a renovação automática do meu contrato de trabalho, sinto-me honrado em poder escrever sobre o que observo, sobre o quanto tem agregado valores imensuráveis fazer parte de um Sistema tão acolhedor...
As pessoas são uma das coisas que mais chamaram minha atenção. A cultura do Sistema é muito diferente. Sorrisos. Cordialidade. Educação. Nossa, como é bom trabalhar com pessoas educadas, que sabem se comunicar. Tudo fica mais fácil. 95% das pessoas são simples, conversam e dão risada. Em outras empresas que já atuei, essa média caí para 75%. Uma diferença gritante. Conversei com a Lú sobre isso, relatei que não estava acostumado, porque nem sempre trabalhei assim. Ela me deu uma resposta que nunca mais esquecerei: "Cargo é estar, e não ser. As pessoas esquecem disso." Parei. Analisei; Aprendi. Como sou Assistente Corporativo nível I, diversas vezes preciso sair da sala e ir em outros setores; além dos emplacamentos, é necessário pegar algumas notas para determinado colega da equipe, quando solicitado. Então, nada mais natural do que conhecer muitas pessoas. Andando pelo Sistema, é fácil notar que, a maioria dos setores, começa com as iniciais GE. GESAD, GESUP, GEPES, GECOM. Sabe o que significa? Gestão. GESAD: Gestão de Serviços Administrativos. Ou seja, independente do setor, a gestão funciona; sempre vai haver alguém para responder e dar continuidade ao processo. É fantástico. Nesses muitos setores que já entrei, em todos fui bem tratado. Por falar em entrar em setores, esses dias entrei na GEREX, encontrei uma menina e fiz umas perguntas. Ela deve ter me achado louco, mas estava aplicando técnicas que li em inúmeros livros. Precisarei escrever esta historia num outro momento. Como eu estava falando, o Sistema...
Outro ponto que sempre analiso ao entrar numa empresa: O que os colegas acham da empresa? Conversei com muitas pessoas. Fiquei surpreso. Elas enaltecem o Sistema. Falam maravilhas. Quanto tempo de Sistema? A variação é grande. 3 anos, 4 anos, 15 anos, 26 anos... 35 anos!! Disseram que vale à pena se dedicar, se esforçar e oferecer o melhor. Um atrativo diferente; pessoas que não se desmotivaram com o passar do tempo. Uma analise positiva. O passar dos dias tem se mostrado gratificante, com um aprendizado forte. Bom, no meio de tantas maravilhas, é bom falar de algo muito importante. Não pensem que é uma barbada trabalhar no Sistema FIERGS. Não, claro que não. O trabalho é puxado, onde existem prazos para as entregas serem feitas. Enquanto escrevo, já estou pensando no dia seguinte, nas minhas inúmeras demandas. O Sistema te oferece uma estrutura de trabalho perfeita. Podem falar o que quiserem, só nunca dirão que o Sistema não disponibiliza ferramentas para o trabalho ser bem executado. Não têm desculpas. Quem gosta de trabalhar, quem conhece o mercado, sabe que o Sistema é o ambiente ideal para desenvolver novas aptidões. Liberdade para agir, para executar novos planejamentos. Basta querer. E é justamente o que minha gerente deixou bem claro: "Nós te contratamos pela tua experiência, por estar estudando e por ter ambições. Primeiro preciso que tu conheça o processo, o que vai demorar um tempo. Depois, conforme aprendizado, tu pode dar sugestões de melhorias. Aprenda." A primeira conversa que tivemos. Os outros feedback que recebi, escrevo em outra oportunidade. Enfim, para encerrar, nada melhor do que escrever sobre minha equipe.
A GESAD precisa de mim e eu preciso da GESAD. Um sentimento recíproco. A equipe que trabalho é sensacional, os colegas que me rodeiam são acima da média. Trabalho com meu ex professor. E, para minha sorte e total alegria, têm mais duas professoras na equipe, ambas dando aula para o Ensino Superior. Tenho muito que aprender. E não pensem que trabalho somente com pessoas formadas. Não. Trabalho com pessoas queridas, que não tem Ensino Superior, mas sabem conversar. Não são chatas por ganharem mais, por terem mais tempo de empresa. Estão dispostas a ajudar e delegar conhecimento. São uns amores de pessoas. A equipe inteira está de parabéns. Esses dias escrevi sobre a minha analista no Facebook, e vieram pessoas de todos os lados falar bem dela; mais de 90 pessoas curtiram meu texto. Todas às vezes que preciso chamar a Lú, ela para tudo, olha para trás e questiona: "O que, meu filho?" É engraçado. Ela nunca se nega me dar atenção. Por isso, evito chamar ela por qualquer coisa. Tem também a Michelle, que está atenta as minhas atividades. Antes de cometer algum erro, ela chama e alerta: "Quando tu ver esses códigos tu faz isso. Quando te ligarem tu explica assim." Respeito muito ela. Não somente pelos seus 5 anos de Sistema, mas sim, por saber que ela já esteve na linha de frente, executando na prática. Equipe Patrimônio: Gisele, Eduardo, Fátima, Rosemari... Colegas que buscam me ajudar, explicar como funciona os processos. Devagar, com o passar do tempo, escreverei muitas historias. Quero agradecer aos colegas da GESAD, de forma geral, todos os processos. Grande abraço aos colegas do interior, que estão espalhados pelo Estado, ajudando e orientando as equipes quando eu ligo. É realmente muito bom fazer parte da equipe. Obrigado...    





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Indiretas no Face



Quem nunca postou uma indireta no face? Jura? Pode até ter apagado, mas com certeza já postou algo para uma determinada pessoa. Acho normal, às vezes, perdermos o controle e desabafamos na internet, mais precisamente no Facebook. Entretanto, é preciso ter cuidado com certas coisas que são postadas. A intenção é dar uma indireta, porém, por não saber se expressar, acaba afetando amigos que não tem nada a ver com a historia. A raiva é um sentimento que precisa ser controlado, para evitar futuros arrependimentos. Não recordo de muitas indiretas vindas contra minha pessoa. Aconteceu uma vez ou outra, mas nem dei bola, já que o português era horrível; quase não entendi o que queria dizer. Eu tenho uma amiga no meu Facebook, que dá umas indiretas bem diferentes. Para começar, ela é muito inteligente. Além disso, ela sabe escrever de forma que ironiza as pessoas que postam indiretas para ela. Ainda bem que é minha amiga, se fossemos debater, duraria horas e horas; ela sabe se posicionar. Então, como dar uma indireta? Existem algumas regras, que pessoas inteligentes utilizam...
É muito feio ver uma pessoa ofendendo outra sem citar nome, apenas acontecimentos. Sem falar nos palavrões, geralmente por causa de alguém que interfere num relacionamento. Indiretas sobre roupas, beleza de forma geral. Chega um ponto que vira infantilidade. Se deseja ajudar alguém, não precisa postar indiretas; se aconteceu algo que não gostou, não precisa sair correndo para o face postar. Este senhor que vos escreve, já postou muitas indiretas, a maioria delas desnecessárias. Quando dou uma indireta querendo acertar uma pessoa, acerto ela é mais umas 25. A última indireta que usei foi no ano de 2014, quando escrevi uma indireta para uma colega de trabalho, afirmando que ela me desmerecia, que se achava demais; escrevi que precisava sofrer uma perca na vida para aprender. Não sabia que o pai dela estava doente, se tratando. Resultado da indireta: Ficou meses e meses sem falar comigo. Persistente que sou, dei um jeito de reconquistar a amizade dela. Consegui, mas nem sempre consigo; perdi inúmeras amizades por causa de indiretas desnecessárias. Faz muito tempo que não escrevo mais nenhum tipo de indireta. Quando algo me incomoda, escrevo um texto reflexivo; tento fazer as pessoas repensarem suas atitudes. Eis a primeira dica para escrever uma indireta. Saiba escrever. Ponto. Caso contrário, ao invés de dar uma indireta, fará teus amigos rirem dos teus erros de português.
Minha amiga Ales Torres é especialista em indiretas. O que ela faz é fora do comum. Não é uma simples indireta, é mais um recado geral:

Poxa vida, em pleno 2015 , o pessoal fica clicando em coisinhas duvidosas e marcando todo mundo em "o que um cara faz com uma mulher bêbada".
Gente, se atirar na frente de um caminhão vocês não querem né?!?
Que saco.


Quem marcou ela nessa postagem deve ter se arrependido. Ela ofendeu alguém? Usou palavrões? Não, claro que não. Apenas escreveu sobre algo que incomoda. Uma segunda dica: Escreva de forma geral, mesmo que queira atingir uma única pessoa. Não tenta escrever de forma direcionada, porque, com certeza, vai acontecer o efeito contrário; atingirás pessoas que não tem nada a ver. Portanto, para evitar desgastes, escreva para todos de uma vez. Para quem servir o chapéu, já vai pegar e usar; para quem não se identificar, nem vai prestar atenção. Agora, para encerrar este artigo, uma última dica. Preste bem atenção no que vou escrever.
Se possível for evite dar indireta para qualquer pessoa. Procure entender por quê a pessoa teve tal iniciativa. Não é bom fazer inimizades. O amanhã pertence a Deus. O futuro é repleto de incertezas. Nunca sabemos quando vamos precisar de alguém. Se acontecer algo muito ruim, se a raiva falar mais alto, utilize as duas dicas anteriores. Aprenda a utilizar o Facebook, aprenda a fazer amizades. Antes de postar uma indireta, releia e pense: "Estou ofendendo meus amigos?" Se a resposta for sim, apague e não poste. Vai ler um livro, ver televisão ou jogar algum joguinho no celular. Aprenda a esfriar a cabeça...




sábado, 27 de dezembro de 2014

Meu acidente



Às vezes eu tento lembrar como tudo aconteceu. Mas é uma tentativa em vão. Meu acidente foi delatado da minha memória. Nenhuma recordação. Nada. O que eu gostaria de esquecer não consigo. Lembro perfeitamente como era jogar futebol com os amigos; jogar vídeo-game; jogar vólei; dançar pagode... Entre outros ritmos. Luzes brancas. Pessoas chorando ao meu redor. Minha mãe de um lado, do outro, meu irmão. Meu colega de trabalho, o Boca, acariciando meus cabelos e dizendo: "Fica bom logo, meu zagueiro. A gente te espera para o torneio." Era a Copa dos Jornaleiros, que eu estava escalado. É impossível esquecer as palavras da minha mãe, quando saí de casa para ir trabalhar: "Não vai de moto, filho. Espera aprender andar bem. Vai de ônibus." Eu não escutei ela. Eu só queria mostrar aos meus colegas de trabalho que havia conseguido conquistar meu sonho. Minha adorada moto. Mal sabia que meu sonho quase me mataria. Aliás, matou; parada cardíaca por 7 segundos. As pessoas me perguntam muito sobre o meu acidente. Vou contar o que aconteceu...
 No dia 04 de março de 2005, uma sexta-feira, fui até à Zero Hora pegar meu Vale Transporte. Após esta tarefa, o Maurício, vulgo Pateta, ficou de me levar na loja para pegar minha moto: Titan preta, 150 ES. A loja da Via-porto ficava na parada 44 de Alvorada. Ao descer da moto do Maurício, fiquei admirando minha nova aquisição. Meu sonho. Quando subi na moto e liguei ela, senti um prazer imenso, uma sensação impossível de descrever. O Maurício e eu andamos lado a lado na Avenida Getúlio Vargas. Na parada 46 nos despedimos e seguimos rumos diferentes; ele seguiu reto e eu dobrei para direta, pegando um atalho para loja Nice Modas, uma filial onde a dona era minha amiga. A Rochele me viu chegando. Sorrindo me cumprimentou, parabenizou pela moto. Conversamos um pouco, subi na moto e segui meu caminho. Eu queria muito chegar em casa, deitar e dormir; acordar às 04:00 da manhã todos os dias não é tarefa fácil; ser jornaleiro é um serviço que exige acordar cedo. Porém, agora de moto, finalmente trocaria de emprego. Ser frentista era meu próximo passo. Eu queria ser frentista...
Ao chegar em casa conversei com a minha mãe. A moto ficou estacionada na frente de casa. Tentei dormir. Tive pesadelos horríveis. Acordei suando frio. Seria um aviso? Deus nos envia avisos o tempo todo, ainda mais quando se trata de perigos eminentes. Não respeitei os sinais e esperei à noite cair; muitas emoções estavam por vim: minha primeira noite de moto. Encontrei meus amigos na casa do Eder (Este, infelizmente, não está mais entre nós), decidimos ir para Gravataí, curtir as festas que rolavam, os 'pegas' alucinantes e manobras inconscientes. De repente, algumas quadras da minha casa, em frente a padaria Makro Pão, parei a moto e businei para meus amigos. Quando eles voltaram, eu disse: "Não vou ir. Preciso acordar cedo para trabalhar. Deixa para próxima." Retornei para casa e guardei minha moto. O que vou escrever a partir de agora, são relatos dos meus colegas, das pessoas que estavam naquele momento. Como disse anteriormente, não recordo do meu acidente...
Meu acidente aconteceu às 06:00 da manhã do dia 05 de março de 2005. Eu peguei minha moto no dia anterior, às 16:00 horas da tarde. Ou seja, meu sonho não durou 24 horas. Durou tempo suficiente para mostrar aos meus colegas, para alguns amigos; levei o Daniel até a casa da irmã dele. Naquela manhã do dia 05, peguei meus jornais como de costume. Contudo. eu não queria simplesmente levar meus jornais até o ponto de venda; estava disposto a fazer um 'pega' com o Maurício. Era uma promessa; surrar ele. Quanta bobagem. Uma Titan 150, motor zero, contra uma Titan 97, motor amaciado. Loucura. Mesmo assim, sem noção do perigo e da minha inexperiência, corremos. Estávamos na Avenida Assis Brasil, o Maurício, o Shampoo e eu. Mas, correr mesmo, só o Maurício e eu. O Shampoo estava só acompanhando; ele viu tudo que aconteceu comigo. Quando chegou na curva que aconteceu meu acidente. Ali no IAPI, naquela curva antes de chegar no viaduto. Passando o Bourboun, sentido centro bairro. O certo era ter deitado a moto. Qualquer motoqueiro sabe disso. Não... Eu não sabia, e simplesmente virei o guidão da moto. Me perdi. Balancei de um lado para o outro, tentando equilibrar a moto. Eu estava em terceira. Ao invés de frear a moto e reduzir, só segurei a embreagem e comecei a frear. Deu certo. Todavia, cometi um erro fatal. Eu queria muito ganhar do Maurício: "Vou buscar esse louco." Não reparei que estava em terceira. Larguei a embreagem de soco e colei o punho. A moto do 0 foi para o 80 novamente, empinou, voou contra um poste de concreto. Eu subi por cima do guidão e dei de cara no poste. Os jornais voaram para todos os lados...
Meus colegas de trabalho entram em desespero. Quase cometeram uma fatalidade: tiraram meu capacete. Me colocaram sentado na calçada e chamavam meu nome. Eu só olhava e não respondia. Assim que a ambulância chegou, desmaiei. Na verdade, entrei em Coma. Minha situação pioraria no hospital. Não existia nenhuma possibilidade de sobreviver: 23 dias em Coma profundo; Clavícula direita quebrada; rompimento do Plexo Braquial; Pulmão direito perfurado; Pulmão esquerdo parou de funcionar; Traumatismo craniano; Infecção hospitalar generalizada; Parada cardíaca por 7 segundos. Os médicos sugeriram praticar eutanásia (desligar os aparelhos), mas minha mãe disse: "Enquanto ele respirar, tenho fé." Os médicos não davam nenhum tipo de esperança. Se sobrevivesse, ficaria cego, louco ou em estado vegetativo. Ou tudo junto. E eis que o milagre aconteceu. Apenas uma sequela: meu braço direito; nunca mais mexi, nem a mão. Quanta a minha cabeça, os médicos estavam certos, de certa forma. Minhas emoções se misturaram, devido a forte batida de cabeça. Eu nunca mais fui o mesmo. Que bom...
Escrever sobre o meu acidente é difícil, porque tenho muitas informações e recordações do dia 04 de março de 2005. Não escrevi sobre o Márcio, o irmão da Rochele, que é meu grande amigo. Ele andou na minha moto. Não escrevi sobre como deram a notícia para minha mãe: meu chefe e o Maurício vieram na minha casa avisar minha mãe sobre o acidente; disseram que eu havia caído e me machucado um pouco, que estava no hospital. Imaginem a reação da minha mãe ao chegar no hospital. Escrevi pouco, mas parece muito...


Fotos tiradas depois do meu acidente:
















  

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Alexandre - O Gestor



Não conheci no mercado de trabalho alguém que tenha o perfil semelhante ao do Alexandre. Um perfil, praticamente, exclusivo. Um senhor com mais de 40 anos de idade, cabelo grisalho, olhos castanhos e um sorriso cativante. Entretanto, com um senso de humor invejável, parece um garoto de 20 anos querendo chamar atenção de todo mundo, repleto de piadas prontas e disposto a zuar nos momentos mais críticos. Não posso dizer que é o melhor gestor que já atuei, pois estaria desmerecendo e ferindo egos que tanto me ajudaram ou ajudam. Sem dúvidas, o Alexandre está entre os melhores que conheço no mundo corporativo.  Ele iniciou sua carreira jovem, dedicando-se ao mundo das vendas. Trabalhou como vendedor de carros importados durante 1 ano e 6 meses, apenas para adquirir experiência na carteira. Ciente do que queria e viria à se tornar, trabalhou no banco Santander por 2 anos e meio, e 2 anos no Sicredi, onde  ampliou conhecimentos sobre economia, investimentos; o mercado como um todo. Ele me ensinou sobre técnicas de vendas, técnicas de posse e muitas coisas valorosas. Para ser sincero, ensina até os dias atuais, basta eu ligar ou enviar um email. O que quero escrever e demonstrar, é um valor que ele me passou durante uma cruzada num corredor. Antes de chegar as vias de fato, vou descrever como é o Alexandre. Na verdade, vou tentar...
Quando o Alexandre entrou na Venda Avulsa, em março de 2010, como coordenador da equipe de Jornaleiros de Porto Alegre, me pareceu um cara um tanto estranho. Nos primeiros contatos, estava sempre quieto no seu canto. Uma vez ou outra, entrava na área de Planejamento para conversar com meu gestor, o Fernando Contini. (Depois apelidou, carinhosamente, de frey Nando. Não me pergunte o por quê.) Conforme o tempo foi passando, ele começou a ficar mais, digamos assim, 'engraçadinho'. No momento da sua evolução na equipe, pensei comigo: "Por que contrataram esse cara? Ele é meio louco."  É impossível não rir perto dele. Tudo era motivo para dar risada. Às vezes meu gestor estava concentrado, focado em números e na busca de uma solução. Do nada o Alexandre chegava e perguntava: "Fernando, eu já te falei aquele piada do índio com a melhor memória do mundo? Não? Vou te contar, então." E assim por diante. É o cara que quebra o clima pesado, que descontraí e diverte os colegas. Por trás de inúmeras piadas de loiras, português, bêbado... Existia um homem muito, muito inteligente e com a cultura elevada. Não se engane com o Alexandre. Têm duas graduações e duas Pós, sendo uma delas em Gestão de Pessoas. Como ele mesmo diz, gosta de trabalhar num 'ambiente leve'. Este é o cara que pediu para eu ter calma, paciência, que me puxaria para a equipe dele. Já relatei em outros textos e artigos que eu não soube esperar, que atropelei tudo e enfiei os pés pelas mãos. Inexperiência. O André comentava: "Não sei da onde o Alexandre tira essas piadas. Deve ficar o dia todo catando na internet. Não é possível." Lógico que ele respondia. Sempre em tom debochado e muito divertido. É um cara sensacional. Frases dele marcante: "Não sou lagoa para refrescar bunda de pato." "Não me interessa se o pato é macho ou fêmea, eu quero que bote ovo" Enfim, o legado que ficou e é aplicado...
Certa vez eu estava indo almoçar e encontrei o Alexandre retornando para sala. Sorridente, me desejou um bom almoço. Curioso como sou, resolvi fazer uma pergunta: "Alexandre, me tira uma dúvida: Tu está sempre motivado?" A resposta dele foi curta. Mas entrou no meu coração e na minha mente, de tal maneira, que nunca mais esqueci. "Mateusinho, eu estou sempre motivado. O dia que eu me desmotivar, saio da empresa." Dito isso, virou as costas e seguiu seu rumo. Durante muito tempo fiquei pensando naquela resposta, naquele estilo de vida. Queria aplicar e não conseguia. Moral da historia: Trabalhei desmotivado por quase 1 ano. Fui embora da empresa sabendo que poderia fazer mais. Contudo, o que o Alexandre me ensinou, apliquei e aplico frequentemente; busco estar sempre motivado, independente da situação. No Correio do Povo, por um motivo ou outro, fiquei desmotivado. O que eu fiz? Pedi para ir embora. O gerente do RH solicitou minha permanência. Agradeci, peguei minhas coisas e parti. Mais recentemente, no Grupo Apisul, busquei outra oportunidade no mercado e saí. Eu entendi que pessoas desmotivadas não vão dar o seu melhor no ambiente de trabalho. Agora, toda vez que fico desmotivado, sem pensar duas vezes peço para ir embora. É o que todo profissional deve fazer. Um recado para meus amigos...
Se está desmotivado e acredita que a empresa não merece teu esforço, peça suas contas e vá em busca de novos desafios profissionais. Não permaneça numa empresa por amizades, fundo de garantia ou seja lá o que for. Não faça gracinha para a empresa te demitir: faltas, atrasos, atestados. Tudo isso só gera desgaste de ambos os lados. O verdadeiro profissional evita desgastes desnecessários, porque sabe que o mundo dá voltas e o amanhã é um eterno mistério. Já pensou se precisa retornar para empresa? Vai ser difícil readmitirem um mal funcionário. As amizades que se faz numa empresa, permanecem se forem verdadeiras. Sou bem recebido pelas empresas que já atuei; sou bem visto por ex colegas e gestores. É uma dica de quem já trabalhou desmotivado. Grande abraço ao Alexandre, que me ensinou a trabalhar sempre motivado. Desmotivado? É hora de ir embora...


Eis o Alexandre...



Andando de Rolimã com o Valtemar. É uma figura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Tecnólogo - EAD



Eu escolhi mais que um Curso Superior que se enquadra no meu perfil. Escolhi uma modalidade que causa polêmica em diversos acadêmicos e não acadêmicos. Os Cursos de Tecnologia, aos poucos, estão começando a ser mais aceitos pelas empresas. Todavia, existe ainda muita contradição. Algumas pessoas conseguem, não sei como, confundir Tecnólogo com Técnico. A primeira coisa que precisamos aprender: Técnico é nível Médio; Tecnólogo é nível Superior. Ponto. Existem muitas lendas que as pessoas não sabem, mas julgam por verdade única e irrevogável. Mas não é bem assim. O método EAD é muito, muito contestado. Já ouvi pessoas dizendo que é fácil. Simples. Que nem se compara com o ensino presencial. Como acadêmico nesta modalidade, como Tecnólogo, defendo minha posição nos estudos, no mundo dos negócios. Está mais do que na hora de me posicionar sobre tais assuntos...
O que é mais fácil: Fazer uma prova com muitas dicas de um professor ou fazer uma prova apenas com o conhecimento adquirido? É mais fácil estudar em casa ou na sala de aula? Para ambas perguntas, a resposta é uma só: Depende do perfil do acadêmico. O que é injusto, é criticar sem conhecimento. Se EAD fosse 'fácil' como dizem, tenho certeza que o MEC (Ministério da Educação e da Cultura) não regularizava. É fácil chegar em casa, após um dia de trabalho exaustivo e começar a ler um livro técnico? É fácil ter que pesquisar por respostas, por termos desconhecidos? Deve ser fácil ter apenas uma aula presencial por semana para tirar dúvidas. Vai aprender sobre Demanda Agregada, Política Cambial, sem professor. É preciso força de vontade, dedicação. Quem estudou ou estuda na modalidade presencial, aplica muito a teoria do sofrimento, achando que, os que não passam por situações adversas, certamente não adquirem conhecimento. Como assim? Então, porque não vou para faculdade diariamente, quer dizer que não vou aprender sozinho? Para que existe internet? Quem estuda EAD nunca será inteligente? Sabe o que significa ser autodidata? Podem me criticar, dizer que é fácil EAD. Porém, na hora de aplicar o conhecimento, vamos ver quem aprendeu e quem só tem diploma.
Os Tecnólogos são profissionais preparados para o mercado de trabalho de forma mais rápida, mas com muitas técnicas. Os Bacharelados têm mais teorias, uma forma mais filosófica de enxergar e tratar os problemas. São eficazes, com certeza. Respeito. Mas exijo que a recíproca seja verdadeira. Sabia que, nos Estados Unidos da América, eles estudam cursos de Tecnologia desde 1970? (Pesquisa no Google esta informação, assim saberá como me sinto quando leio algo nos meus livros que não sei e tenho que entender.) O Steve Jobs era considerado um Tecnólogo em Marketing. Por que será, né? O Brasil é um país super atrasado, daí, quando chega algo inovador, os reacionários criticam de diversas maneiras. Mas nem todos. Existem muitos Bacharelados que respeitam os Tecnólogos, que entendem esta graduação. Boas pessoas para buscar informação, tirar dúvidas e, por que não, trocar conhecimentos. "Quem estuda Bacharelado sabe mais, porque estudaram mais tempo." Mito. Sim, estudaram mais. Precisaram estudar teoria de tudo. Sem falar em Religião, Filosofia, Sociologia... Matérias chamadas de caça-níquel, por não ensinarem praticamente nada de interessante. E tem outro detalhe muito importante: Eu vou demorar menos tempo e vou poder fazer Pós Graduação, igual qualquer Bacharel. Eu fiz uma escolha: Quero entender de negócios, não como se formou a sociedade, como os filósofos pensavam. Até porque, o mundo não é um parque de diversões e o mercado de trabalho é agressivo. Não tenho nada contra quem fez esta escolha. O conhecimento é infinito. Poderiam respeitar este senhor que vos escreve? Ou para ser um bom líder, entender de negócios, preciso saber teorias?
Encerrando este artigo/texto/desabafo, depende de como cada leitor vai interpretar, apenas quero dizer que tanto faz o tipo de graduação ou modalidade de estudo. Desde que saibam aplicar o conhecimento adquirido. No mínimo, que demonstrem que entendem do assunto. Demonstrar conhecimento, não é ficar no Facebook postando: "Estou na faculdade." "Aula maravilhosa." "Meu professor sabe muito." "Cheguei na faculdade." Para que? Quer mostrar para todo mundo que está na faculdade? Nada vale à pena se o conhecimento não for aplicado, se existir medo no momento de ajudar as pessoas. Tu estuda para que? Para ser mais um ou para ser diferente? Vai se basear na opinião alheia ou vai tirar as próprias conclusões? Escrevo o que penso, o que enxergo, baseado em debates, conversas paralelas que escuto em muitos lugares. Grande abraço aos Bacharelados e os acadêmicos da modalidade presencial. Eu gosto muito de vocês. De verdade. É por isso que estudo. leio e aplico meu conhecimento, para demonstrar que sou tão capaz quanto os senhores...



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Atitudes de Gestor






O Fernando Contini é uma das pessoas que mais me ensinou sobre Administração. Ele é um homem família, apaixonado pela mulher e pela sua filha, a pequena Julia. Tudo que ele tentou me ensinar naquela época, eu não consegui aplicar. Os motivos são diversos, desde inexperiência até achar que estava acima do bem e do mal. Após quase 3 anos afastado, posso escrever sem medo e com total autonomia: Nunca vi ninguém mexer no Excel que nem ele. Só quem trabalha ou trabalhou com o Fernando sabe do que estou falando. Ele é um monstro quando se trata de raciocínio matemático; fórmulas no Excel. Toda vez que vou mexer no Excel, claro, lembro do meu ex líder. Basicamente sei mexer no Excel, talvez um dia, eu seja bom que nem ele. Enfim, certa vez ele usou uma fala comigo que nunca mais esqueci. É sobre esta fala dele que quero escrever. Tal fala me transformou num Gestor. Hoje sou um PCD respeitado no mercado...
 Quando eu trabalhava na Zero Hora, às vezes saíamos almoçar fora da empresa. Era uma tarde de Outono. O céu estava nublado e ventava sutilmente. Então, caminhando rumo à Pizzaria, a equipe ficou mais a frente, enquanto o Fernando e eu ficamos um pouco afastados. No caminho eu resmungava, reclamava do meu serviço. "O dia que eu for Gestor vou mudar. Daí sim, tu vai ver o que é dedicação, o que é mostrar trabalho. Enquanto este dia não chega, vou fazendo o básico." O Fernando me olhava, balançava a cabeça. Ameaçava um sorriso maroto. Quase debochado. Passado alguns instantes, finalmente ele falou: "Mateusinho, para ter atitudes de Gestor, tu não precisa ter um cargo de Gestão. Tu pode ser Gestor das tuas próprias atividades. Eu confio em ti, sei que tu entende de Cadastro melhor do que eu. Tu sabe os impactos que teu trabalho vai causar se houver falhas. Ninguém vai te dar um cargo de Gestão acreditando que tu vai melhorar. Tu vai ser Gestor, por ser bom no que tu faz e pela tua força de vontade. Só depende de ti..." Dito isso, eu não tinha mais qualquer tipo de argumento. Apenas me restou comer a pizza e me divertir com o restante da equipe. Óbvio que não consegui aplicar o aprendizado na equipe, porém, após encarar novos desafios profissionais, o que o Fernando me disse naquele dia, tomei como verdade única e passei a aplicar constantemente.
Eu parei de me preocupar com meu cargo e passei há ter mais atitude. É simples: Independente de ser Auxiliar Administrativo, Analista ou Operador de Cadastro, é preciso saber se posicionar, valorizar o trabalho e debater melhorias. Quando me tornei Gestor das minhas atividades, nunca mais fui um simples executor de tarefa. Existem muitos profissionais que têm cargo, mas se comportam como executores de tarefa. É o que mais têm no mercado. Pessoas executam tarefas sem nem ao menos saber o por quê estão executando. Entendi. Compreendi. A verdade é uma só: Dê o seu melhor hoje, agora. Não espere o dia de amanhã. Por um motivo ou outro, ainda não tive um cargo de Gestão. Mas estou me preparando há anos, acumulando experiências e aumentando minha visão. Um dia conquistarei um cargo de Gestão. Tenho certeza. Até este dia chegar, optei por ser o Gestor das minhas atividades. É muito bom. Um aprendizado do Fernando Contini, meu ex líder e amigo que cultivo desde 2008.
Antes de encerrar este texto, vale à pena ressaltar mais um aspecto sobre meu ex líder. Nosso contato é muito profissional, no entanto, ele jamais negou ajuda. Durante um período que estive desempregado, me passou orientações. Mesmo atuante no mercado, através de emails e contatos via fone, seguimos trocando informações. Ele poderia ter me virado as costas quando saí do Grupo RBS. Mas optou por seguir me orientando. Eu nem preciso agradecer por tudo que ele já fez ou faz por mim, porque já falei pessoalmente do meu carinho, admiração e respeito que tenho por ele. O Fernandinho... O Freinando!! Muitas historias. Eu sou Gestor das minhas atividades. Aprendi contigo...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Obrigado, Grupo Apisul!



Me despedir do Grupo Apisul foi algo muito difícil. Foram 15 meses. Para alguns é um tempo curto; para outros, um tempo longo. Eu penso que foi um tempo de aprendizado, onde pude ver todas minhas forças e fraquezas; descobri que meu poder de resiliência é infinito. Para meus leitores que não sabem, o nome do blog tem tudo haver com o Grupo Apisul. A questão é bem simples. Durante uma fase complicada e muito contraditória, passei por situações diversas: do Cadastro para Central de Cópias; da Central de Cópias para o Administrativo; do Administrativo para Central de Cópias; da Central de Cópias para o Fiscal; do Fiscal para Central de Cópias. Depois de certo tempo, conheci o diretor do Cadastro, senhor Antunes, que me levou de volta para o Cadastro e permaneci até minha saída. Neste período fui chamado de guerreiro. As pessoas me chamavam de guerreiro pela minha força, por não desistir e seguir acreditando em dias melhores. Meu legado é muito grande para caber num discurso de despedida. Minha voz ficou tremula, tamanha emoção. Treinei em casa muitas vezes, mas não consegui falar tudo que eu queria. Chorei. Ganhei um presente especial: uma carta com assinatura dos meus, agora, ex colegas. A carta foi entregue num envelope, que tinha um pensamento do Sun Tzu. No final, um desenho feito pelo Pablo Peixoto, que é um grande artista nas horas vagas.  Antes de partir para meu novo desafio profissional, é preciso fazer uma série de agradecimentos, que não consegui realizar durante o meu discurso. Só quero agradecer. Estou saindo de cabeça erguida, e pela porta da frente...
Trabalhei tempo suficiente para ver pessoas queridas saindo da empresa, por N motivos. O Thiaguinho sempre foi sensacional, um moleque cheio de energia que, no auge da desmotivação, bateu de frente pelo certo e encarou o sistema. Nunca esquecerei dele, independente do lugar que eu estiver. Além do Thiaguinho, existiram outras pessoas especiais: Guilherme, Lucas, Almeida, Nathali, Luana Perdigão, Rihan, Marília... Entre outras pessoas que contribuíram muito na minha evolução. Não posso deixar de citar a dona Teresinha, que era para ser minha coordenadora, a pessoa responsável por mim. Talvez, unicamente talvez, ela não estivesse preparada para trabalhar com um PCD que nem eu: questionador, visionário e, como fiquei conhecido, um tanto cri-cri. Ela me limitou de certa forma, o que gerou desentendimentos entre nós. Entretanto, verdade seja dita: Quando me perdi e meu psicológico ficou fraco, ela me orientou e ajudou muito. Sou grato por tudo que aprendi com ela. Hoje ela é funcionária pública, exercendo uma função de acordo com seus estudos. Mais que um colega, um grande amigo: Ederson Bassani. Almoçávamos juntos, praticamente, todos os dias. Ele quem ouvia boa parte dos meus problemas. Mas nossa amizade não se limitava somente à problemas. Riamos bastante. Conversávamos diversos de assuntos. Um amigo que mora no meu coração. Não terei condições plenas de escrever sobre todas as pessoas que me ajudaram. Cito o Éder, porque todos sabem da nossa amizade. Eu precisaria de muitos parágrafos para escrever sobre o Diogo, Talles, Wagner, Paulinho, João, PC, Priscila, Carlos, Launi, Letícia, Emilson... Muitas pessoas. Mas deixo um abraço especial para o Gérson da Reguladora, que me incentivou e sempre acreditou que eu triunfaria. A Débora, também da Reguladora, além de me ouvir, outra pessoa que me incentivou muito. A pergunta marcante do Will, que atua no comercial: "Podia ser pior, né?" O cara sempre tentou me incentivar, independente da situação. Existem muitas pessoas que eu gostaria de escrever e agradecer. Quem sabe no meu futuro livro.
O senhor Antunes é um homem muito respeitado no mercado de seguros. Uma verdadeira fera que conhece todas as entradas e saídas dentro do processo de cadastro. Qualquer problema que acontecesse, ele sabia onde deveria atuar com mais força. Orienta com maestria os demais setores da empresa. Ele é corintiano. Legal, né? Enfim, ninguém é perfeito. (Risos.) Nunca vou esquecer quando o time dele ganhava: chegava feliz na empresa. E quando o Corinthians perdia? Culpa do juiz, claro. (Mais risos.) Ao senhor Antunes, mais do que meu respeito e admiração, deixo meu carinho. Por que? Porque ele me resgatou da Central de Cópias e delegou funções administrativas. Desenhou meu perfil profissional. Ninguém, absolutamente ninguém, jamais me deu uma função de acordo com o que gosto e sei fazer. O senhor Antunes... Toda vez que eu entrava em sua sala, as pessoas tinham 'certo medo'. O que acontecia naquela sala, era algo mais do que natural: Relatórios de Produtividade. Nosso assunto principal. Minha luta constante para defender melhorias para os operadores. Mais havia um grande empecilho: Eu ainda era um operador. Sem poder de execução. As pessoas vão questionar por muito tempo: "Por quê o diretor não deu um cargo para ele?" Ele até tentou, mas não conseguiu. Apesar de ser diretor, segue preso há inúmeras burocracias da empresa. Ele me fortaleceu psicologicamente. Percebi, de forma rápida, que as pessoas passaram a me respeitar mais. "Se o diretor acredita nele, com certeza deve ser bom." Acho que as pessoas pensaram isso. Ou não. Não faz diferença. Pensa num paulista gente boa. (Fora o senhor Antunes.) A resposta: Fábio Senna. Outra pessoa que precisa ganhar um destaque na minha despedida. Toda vez que nós conversávamos, ao vivo ou no ambiente virtual, ele repetia: "Você vai ser valorizado, no mercado interno ou externo. Tenha calma" Querido não só por mim, mas pela grande maioria. Quem conhece minha trajetória vai se perguntar: "Não vai escrever nada sobre o Cleiton?" Não. Deus fez o que tinha que ser feito. Só torço para ele ser um profissional mais humano, que busque compreender mais as pessoas. Ler livros ajudaria bastante. Desejo o melhor para ele. Perdoei nossas diferenças do passado. Gostaria de escrever e contar muitas historias. Mas preciso, finalmente, encerrar este parágrafo e agradecer de forma geral.
Quero agradecer pela paciência que tiveram comigo no decorrer da minha jornada pelo Grupo Apisul. Peço desculpas, caso tenha magoado alguém durante algum debate. Ou por alguma brincadeira. Não foi minha intenção magoar. Saio do Grupo de cabeça erguida, ciente que fiz meu melhor. Lógico que não tive 100% de aprovação. Ninguém consegue, nem Jesus Cristo conseguiu. Forte abraço aos guerreiros e guerreiras do Cadastro, que lutam incansavelmente por dias melhores. Aos colegas do Monitoramento, agradeço por cada sorriso, por aceitarem minha amizade. Principalmente, os que vi entrar na empresa. Satisfação gigante poder ver pessoas maravilhosas entrando e permanecendo no grupo. Aos gestores de outros setores, que conheci por atuar na Central de Cópias, agradeço pelo carinho e compreensão com que me trataram. Obrigado pelas fotos que tiraram comigo. As fotos eternizam momentos. Ao Diego, do Primavera, sentirei falta dos cafés que me foram servidos. Dos almoços de ótima qualidade, onde cortavam minha carne, salada... O que tivesse que cortar. Nunca esquecerei das muitas brincadeiras. Sorrisos. Mesmo quando eu estava triste. Uma hemorragia de prazer estar perto de pessoas agradáveis. Um beijo no coração do Diego, na família toda. O Thiago e o Serginho, amizades que fiz na Central de Cópias. Sem palavras. Acreditaram no meu trabalho, na minha força de vontade. Eu chegava dançando na Central de Cópias. O Serginho se matava rindo. "Aquela do passinho pra trás é foda!!" Dizia meu amigo. O Thiago, que foi incansável na divulgação do meu blog. Ele nunca admitiu, mas sei que ele enviou emails com o endereço do meu blog. Ele diz que é meu fã. Mas eu que sou fã desse garoto sensacional. Um homem de Deus. Eu amo todas as pessoas, mesmo aquelas que me negaram um sorriso, um oi. Não sei quem vai me perdoar por eventuais falhas, mas perdoo todos que me feriram por diversos motivos. Fiquem com Deus e sigam batalhando, afinal este é o meu legado: Lutar por dia melhores. Obrigado, Grupo Apisul.
Agora vou para meu desafio profissional em paz. Atuarei na Federação das Industrias do Estado do Rio Grande do Sul. (FIERGS) Vou trabalhar com meu ex professor e amigo, Leandro Iablonovski. Uma nova equipe, novos processos, novos conhecimentos. O primeiro dia, após assinar contrato, já mostrou-se bastante verdadeiro. Motivador. É uma equipe cheia de energia e conhecimento, com responsabilidades gigantes. Eu já sei o que fazer, e como fazer. As pessoas vão me conhecendo aos poucos. Devagar. Estou pronto e motivado para galgar atrás dos meus sonhos. Que Deus me ilumine e proteja...





sábado, 11 de outubro de 2014

Assalto ao Salomé



É muito triste ser assaltado. É horrível ver as pessoas sendo roubadas. E, pior ainda, é ver tudo isso acontecer dentro do ônibus. Nunca passei por tal situação. Aliás, nunca havia passado. Eu só queria chegar em casa, trocar de roupa e curtir minha internet. Mas nem sempre os planos que a gente faz acontecem. Era para ser uma sexta-feira normal, como tantas que já vivi. Ao passar do Triângulo e entrar na Baltazar de Oliveira Garcia, minha sorte começou a mudar. Quando o tiro aconteceu, rapidamente pensei no pior. Uma historia e tanto dentro do ônibus...
 Eu saí da faculdade às 21:30 e caminhei em direção à parada de ônibus. O centro de Porto Alegre é um tanto agitado na parte da noite, mas é um agito um tanto sinistro. Tudo bem, eu sei que só preciso caminhar sem olhar para os lados com muita frequência. Ao chegar na parada, o Salomé já estava encostado, quase arrancando. Como conheço o motorista, fiz sinal para esperar. Ele sorriu. Entrei e sentei no banco único. Ficamos conversando sobre a próxima volta dele, que se iniciaria às 22:35. Fiquei elogiando ele, sua velocidade e firmeza ao conduzir o ônibus. Tranquilo. O ônibus começou a encher. Algumas mulheres ficaram sentadas na frente, inclusive, 2 jovens (vulgo novinha). Por esse motivo, quando subiu uma mulher com uma deficiência na perna, nem pensei em ceder o lugar; uma das jovens deveria levantar, afinal, sou deficiente, também. E aconteceu exatamente isso. A mulher deficiente em questão, subiu na Baltazar de Oliveira Garcia. Umas 2 paradas depois, passei por uma situação que jamais imaginei, apenas ouvia falar...
Escutei um estouro super alto dentro do ônibus. O cobrador começou a falar para o motorista: "Pega a direita. Pega a direita." Meu primeiro pensamento foi que havia estourado o pneu. Entretanto, numa fração de segundos, descobri que não foi o pneu. Estavam assaltando o ônibus. Não somente o ônibus, mas também os passageiros. Tirei o celular do bolso e botei dentro da cueca. Rápido. Preciso. No entanto, eu estava voltando da faculdade, era dia de escrever uma redação. Portanto, dentro da minha mochila estava meu netbook. Na minha carteira tinha uns R$ 30,00, meu cartão de crédito, o cartão que recebo do banco, minha carteira de isenção e meu cartão que recebo meu benefício do INSS. Perder o celular não seria nada perto do netbook, cartões e documentos. Um dos assaltantes pulou a roleta e começou a ameaçar o motorista, caso ele não entrasse na rua a sua direita. O motorista falou: "O sinal está fechado. Tem carros vindo. Não tem como eu entrar. Espera um pouco que já entro." O assaltante estava na minha frente, com a arma em punho. Minha reação foi uma só: virei o rosto para rua e evitei olhar para ele. Se eu olhasse, certamente sobraria para mim. Ele notaria minha mochila. Ele estava muito nervoso; pedi para Deus me tornar invisível diante meus inimigos. Seus parceiros começaram a gritar: "Se o motora não entrar agora, atira na cabeça dele. Mata esse desgraçado." O assaltante mandou o motorista abrir a porta que ele faria sinal para os carros parar. Um dos carros quase bateu no ônibus. O motorista entrou na rua e andou alguns metros. O assaltante da frente gritou: "Pegaram tudo? Deu? Abre a porta motora. As duas. Agora vaza..."
Assim que o ônibus arrancou o motorista gritou: "Ninguém olha pra trás." A mulher que tem uma deficiência na perna começou a chorar. Mais do que chorar, tremeu o corpo... Estava tendo um ataque epilético. O motorista virou a quadra, manobrou como pode e parou na frente do Centro Vida, onde tem um posto da Brigada Militar. Os passageiros estavam em pânico. Desci do ônibus e acendi um cigarro. Fumei calmamente, feliz por não terem roubado nada de mim. Liguei para minha mãe, relatando pelo que havia passado. Reforcei que estava bem, só demoraria um pouco para chegar em casa. A mulher com deficiência na perna, que estava passando mal, foi retirada do ônibus e levada para atendimento. Sinceramente, eu perdi ela de vista. Estava chovendo, uma chuva fina. Leve. Passado uns 10 minutos, surgiram alguns policiais armados, perguntando sobre o ocorrido. Alguns passageiros atravessaram a rua e foram para parada, aguardar o próximo Salomé. Outros ficaram conversando, contando sobre o que perderam: Carteira, celular, dinheiro: uma das passageiras entregou R$ 100,00 que tinha no bolso. No meio das conversas, fiquei sabendo que eram 4 assaltantes. Detalhe: todos estavam armados. Uma noite horrível...
Não tem como saber quando, aonde ou que horas vamos sofrer um assalto. Contudo, é obrigação saber como agir. O primeiro e mais importante passo, é nunca reagir. Em hipótese alguma. Segundo: Evite olhar para o assaltante. Geralmente estão nervosos; um olhar pode intimidá-los e ser mal interpretado. Nada vale mais do que a vida. Melhor levar os anéis e ficarem os dedos, como diz minha mãe. Eu estava prestes a perder muitas coisas, inclusive meu trabalho da faculdade, que estava no netbook. Meus documentos já estava ciente da burocracia. Meu maior problema seria com o INSS. Mesmo assim, se pedissem, eu entregaria sem reclamar ou tentar argumentar. Deus é maior. Sabe o que faz. Espero que ninguém passe pelo que passei. Caso passe, saiba como agir...