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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Facebook - A Estratégia




O Facebook é uma rede social maravilhosa que nos mantem conectados com nossos amigos e podemos acompanhar inúmeras postagens. O problema é que nem sempre vamos gostar do que estamos acompanhando. "O Facebook é meu e posto o que eu quiser", é o pensamento predominante. Não existe alguém que aprove 100% todas as postagens feitas no Facebook. E isto é normal. Em tempos de campanha eleitoral a situação piora muito. São pessoas que decidem expressar suas opiniões políticas de diversas formas: textos, vídeos, fotos, links de notícias e por aí vai. E a maioria não tem noção do que está fazendo. Espalham notícias falsas como se fosse verdade e acabam influenciando outras pessoas sem o mínimo de massa crítica. É um lado negativo do Facebook que gera falácias sem fim.
Algumas pessoas são tão radicais que postam: "Vou votar no fulano, quem não gostar pode me excluir". E uma amizade bonita é encerrada por causa de política. A estratégia que vou ensinar serve para evitar este tipo de acontecimento. Não somente na política, mas postagens em geral que determinada pessoa posta e não é legal aos teus olhos. Tenho amigos e amigas que já aplicaram tal estratégia comigo. Não tenho dúvida. Nunca curtiram ou comentaram nada que posto. São pessoas invictas no meu Facebook. Tenho uma estratégia especial para elas, que será divulgada num texto futuro. Agora vamos tratar de como parar de acompanhar postagens desnecessárias. E um conselho importante sobre como tratar pessoas que pensam diferente de ti politicamente.

É possível não ver mais as publicações de uma pessoa e, mesmo assim, continuar sendo amigo. Não precisa ser radical e desfazer uma amizade, tampouco bloquear. Já aconteceu de eu fazer um comentário numa postagem, uma crítica construtiva e receber uma resposta violenta ou, pior ainda, ficar sem resposta e ver outros comentários sendo respondidos. Daí que começa minha estratégia. Ao entrar no perfil de uma pessoa, pelo celular ou computador, abaixo da foto vai estar: AMIGOS, SEGUINDO, MENSAGENS. Basta clicar em seguindo que vai surgir a seguinte opção: DEIXAR DE SEGUIR. Clicando nesta opção, as postagens não vão mais aparecer na tua linha do tempo. E olha só que legal, vão continuar sendo amigos. Se houver necessidade pode mandar uma mensagem no privado e conversar. Se sentir que a pessoa evoluiu e parou com as postagens bobas, é só seguir novamente. É uma estratégia sensacional.
Então, cada vez que ver muitas postagens sobre política que incomoda, que tu sabes que não faz sentido, simplesmente pare de seguir quem está postando incansavelmente. Vai poupar uma amizade e evitar discussões desnecessárias. Até porque, poucas pessoas têm capacidade argumentativa, a maioria briga e não entende o mínimo de política. Saiba com quem está tentando argumentar.

Meu irmão tem uma visão política totalmente diferente da minha. Aqui não cabe nenhuma crítica ou exposição. Ele é meu irmão. Meu sangue. Jamais vou aplicar qualquer estratégia com ele. Só vou olhar e respeitar. Sou muito respeitado politicamente. Escrevo alguns textos e meus amigos comentam, debatem, trocam informações, tudo de forma educada. É a minha rede social, não é regra. Por essas e outras que defendo: não brigue por causa de política e respeite as pessoas. Todos pensam de forma diferente, estudos, experiências. Nada é igual. Outro detalhe importante: não tente convencer ninguém a mudar de ideia através da força bruta verbal. Se a pessoa já decidiu, é perda de tempo tentar convencer do contrário. Quando existe dúvida perante os candidatos, utilize argumentos reais. Seja diferente. Mostra um caminho evolutivo para o país, não apenas para determinado grupo da sociedade.
Pessoas que não entendem de política vão criticar os candidatos sem jamais exaltar as qualidades de quem vão votar. Criticar por criticar qualquer adolescente consegue. Quero ver defender um candidato através de argumentos que fazem a diferença. Ficar isento sem falar nada é uma estratégia simples e muito usada. É bom. Agora, se decidir debater e trocar informações, seja firme e mantenha a postura. Apresente teu candidato e boa sorte na argumentação. Não brigue. Qualquer coisa, para de seguir que é melhor e faz bem para saúde.

Espero que este texto possa contribuir com teus pensamentos de excluir amigos que pensam diferente ou que postam coisas que acabam irritando tua pessoa. É uma estratégia simples e fácil de ser executada. Não dói em ninguém. Até hoje, só apliquei com uma pessoa porque ficava induzindo ao erro e postagens sem sentido algum, politicamente falando. Outras pessoas foram por falta de educação com a minha pessoa. Cada caso é um caso. Espero que saibam usar este recurso tão eficaz. Estou ciente que já usaram comigo. Eu sei...


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sábado, 18 de agosto de 2018

Mateusinho Surfista - A Origem





Minha vida mudou muito após meu acidente. Encontrei inúmeras dificuldades para voltar a ser quem sempre fui. Na verdade, nunca mais consegui ser. Até os 19 anos tinha um corpo físico saudável. De repente, acordei com 20 anos sem mexer um braço. A causa de tudo foi um terrível acidente de moto, o que acabou gerando 23 dias em Coma Profundo. A partir de então, sendo deficiente físico, meu mundo desabou diante meus olhos. Faltava coragem para encarar as limitações e conhecer pessoas. Precisei me reinventar e achar um novo caminho. No ano de 2006, quando os acessos à internet estavam começando, uma rede social era conhecida e estava tornando-se uma identidade digital: Orkut. As poucas pessoas perguntavam: "Tem Orkut"? Não fazia ideia do que era aquilo. Então, num belo dia, fui numa lan-house e decidi aprender como mexer nesta rede social. Não era simples, afinal, só tinha Orkut quem recebia convite por email. O dono da Lan-house criou um Hotmail para mim, me enviou convite e falou algo sobre MSN. A partir daquele momento estava nascendo o Mateusinho Surfista.
Nunca soube nadar, tampouco surfar. Mateusinho é o diminuitivo do meu nome, mais as roupas de surf que adorava usar naquela época. Por que não usei meu nome? Naquele tempo as pessoas usavam muitos apelidos ou "nomes fantasias"; poucas pessoas usavam o nome verdadeiro. Pelo menos, minha rede de contatos era assim. Através do Orkut que fiz muitas amizades virtuais, conversei com inúmeras garotas. No começo de tudo não falava nada da minha deficiência. Tirava fotos que só mostravam o meu rosto ou o lado esquerdo do meu corpo. Passaram-se mais de 12 anos que nasceu o Mateusinho Surfista, e faz mais de 6 anos que não uso mais este nome. Entretanto, ele nunca morreu; tornou-se um sentimento. Quero escrever sobre este sentimento, como me recuperei através da internet. Antes, quero explicar um pouco sobre Orkut e MSN, já que não são todas as pessoas que viveram esta fase.

O Orkut é semelhante ao atual Facebook, mas grandes detalhes fazem a diferença. O Orkut era uma página própria, exatamente como no Facebook, onde era possível colocar seus dados pessoais. Uma das grandes diferenças trata-se dos "recados". Por exemplo, se eu quisesse falar contigo, ia até a tua página e deixa um recado. Tu irias ler e responder. Também era possível deixar depoimentos para amigos. Simples: vou na página da pessoa, clico em depoimento, a pessoa lê e aceita. Pronto; aquele depoimento ficaria exposto para todos. Só por essas duas características já é possível imaginar quantas confusões existiram. Recados íntimos que não foram apagados no tempo certo; depoimentos reveladores que a pessoa deveria ler e não aceitar. Muitas situações engraçadas e constrangedoras. As famosas comunidades tinham seu valor. Quando alguém posta uma foto no Facebook e escreve: "Dispensa legenda". Legenda é do Orkut. Ao criar um álbum e colocar fotos, existia a opção de escrever na legenda.
Na outra vertente temos o MSN. O WhatsApp é a evolução, porém, acredito que o MSN era melhor. Tinha as frases que botávamos; rolava várias indiretas. Nunca esquecerei a frase que eu usava: Mateusinho Surfista - A saga de um guerreiro lutando contra seu próprio destino. No MSN havia status diferentes: Online, Ocupado, Ausente e Off-line. Era difícil saber se o status era verdadeiro. A pessoa poderia botar ocupado e falar só com quem deseja. E nos outros status a mesma coisa. Tinha um botão que chamava atenção das pessoas, literalmente. Ao clicar, toda tela da pessoa balançava e ela seria direcionada para quem chamou atenção. Status Ocupado e Off-line não era possível chamar atenção. No status ocupado não dava para ver quem entrava; no status Off-line não dava para abrir WEb Cam. Portanto, as estratégias variavam de caso a caso. As Salas de Bate-Papo do site Terra, UOL entre outras, eram usadas para fazer amizades e conseguir MSN. Percebeu o tamanho da diversão e, claro, dos desencontros que aconteciam? Tempo bom, que não volta mais.

O Mateusinho Surfista nasceu para superar meus medos. Morria de vergonha de ser deficiente físico, por ter limitações. Tudo muito recente para mim e estava me redescobrindo. Através do Orkut encontrei um mundo diferente, onde poderia conhecer pessoas e fazer amizades. Depois que entrei numa rede social nunca mais me senti sozinho. Tirava muitas fotos e postava. Como foi escrito anteriormente, existia a opção de escrever na legenda da foto. Naquele tempo eu escrevia mal e pouco me arriscava. No antigo Orkut, na origem, só podia postar 12 fotos. Com o passar dos anos aumentou para 24, depois 36; enfim nasceu os álbuns e as fotos tornaram-se livres. Aos poucos fui escrevendo mais; cada legenda gerava textos médios.
Quem nunca viveu um amor virtual não sabe o que é gostar de alguém somente pelo seu jeito de ser. Experimentei este sentimento diversas vezes e vivi historias memoráveis. Certa vez me apaixonei por uma menina que morava em São Luís do Maranhão. Eu moro no Rio Grande do Sul. Ou seja, ela estava do outro lado do país. Impossível a gente se encontrar e ficar juntos. Mantivemos um amor virtual durante vários meses. Até que ela conheceu alguém. Eu quase enfartei quando soube. Mesmo sabendo que jamais aconteceria, fiquei chateado e triste por um bom tempo. Hoje ela é casada, tem um filho e está feliz. Torço muito por ela e mantemos uma amizade sincera, apesar que quase não falo com ela. Além desta pequena historia repleta de detalhes que foram ocultos para evitar exposição, outras tantas aconteceram. Algumas garotas conheci pessoalmente, mas nunca se transformou num namoro firme e com sentimentos reais. Estava aprendendo a conversar, comunicar. Mesmo assim, tinha preconceito comigo mesmo; culpava meu braço perante minhas falhas. E o preconceito me travou. Aconteceu de conversar com garotas próximas, possíveis de encontrar. Nunca tentei. Perdi muitos contatos, quase todos dos tempos de Orkut e MSN.

Amizades distantes e amores impossíveis. O tempo foi passando e fui evoluindo. Assim que iniciei meus estudos, leituras e meu mundo expandiu, Mateusinho Surfista deu espaço ao Mateus Silva. Um homem cavalheiro, um guerreiro destemido lutando por dias melhores. Meu lado sonhador tem nome e sobrenome: Mateusinho Surfista. Tenho certeza que muitas pessoas pesquisaram por meu nome nos tempos de Orkut. Não encontraram porque mudei. Dá mesma forma, muitas pessoas evoluíram e nunca mais foi possível encontrar. Posso escrever historias sobre o Orkut e MSN. Hoje só escrevo sobre um sentimento que existiu e fez eu crescer e enxergar um mundo diferente. Talvez um dia eu escreva mais.


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Foto que usava no perfil do Orkut.


sábado, 21 de julho de 2018

Woods




A turma da minha namorada decidiu fazer uma festa para os 100 dias dos formandos. Conseguiram entradas para uma das melhores festas de Porto Alegre (se não for a melhor), a Woods. Quando minha namorada me informou, fiquei um tanto assustado. Primeiro, porque não sei me vestir para festas de tal calibre; segundo, porque custa caro. Ela buscou me acalmar, explicando que tinham conseguido meia entrada. Raramente digo não para Camila, e sei que o momento é mega importante para ela. O processo era simples: Os cards seriam vendidos a 10 reais. Apresentando o card pagaria 25 reais; sem o card, 50 reais. Convidamos um casal de amigos. Na festa estaria a produtora, tirando fotos e filmando os formandos e seus convidados. Com que roupa devo ir? Simples, mas sem perder a elegância: calça jeans, sapato bico fino, camisa bordo e blazer. Certo que não é uma roupa para "curtir" funk, porém é meu estilo e não abro mão.
A festa estava programada para começar às 23 horas. Eu não sabia nada do que poderia acontecer.  Estava ciente que teria um show de um tal de MC Dedé, que nunca ouvi falar. Em nome do meu amor aguentaria uma noite de funk.  Em compensação, conheceria a Woods. Para chegarmos lá, contratei um amigo/vizinho que trabalha na Uber e cobrou um valor dentro do orçamento previsto. Além disso, no caminho, ficou falando sobre o bairro Boa Vista e das pessoas que ali moravam. A massa era formada por empresários e outras tantas pessoas importantes. Chegamos na Woods! Ao descer do carro, olhar aquelas pessoas, a atmosfera do ambiente externo, não demorou muito para ficar vislumbrado. Peguei a mão da Camila e caminhamos em direção as suas colegas que estavam na fila. A partir de então, comecei a analisar tudo que poderia, cada acontecimento: as roupas, as decorações, os seguranças, os processos de entrada e saída, as pessoas. Como imaginei, a festa não começou às 23:00. Demorou mais de 30 minutos para entrarmos. Quando o segurança me revistou, já reparei num processo que não conhecia. Ao entrar imaginei que ouviria muito funk. Estava extremamente errado, o que alegrou minha noite. Escreverei o que vivenciei na Woods. Adorei.

Do outro lado da rua tem um posto de combustíveis. Um posto muito lindo, com uma loja de conveniência acima dos padrões. Do lado, uma farmácia e outros comércios. Avisei a Camila que queria ir ao banheiro e fui à loja de conveniência. Retornando, fiquei feliz ao analisar os homens da festa: a maioria usava jeans, sapato e camisa social. Já acertei no figurino. Perfeito! As mulheres me surpreenderam. Sexta-feira, 13 de julho, estava frio. Entretanto, as mulheres usavam saias, vestidos e até shorts. "Tu deverias ter vindo de saia", comentei com a Camila, que estava linda e elegante, de calça jeans, uma blusa, um casaquinho e salto alto (que não era tão alto).
Os seguranças usavam ternos pretos e camisas da mesma cor. Elegantes. De repente, um colega da Camila argumentou alguma coisa com o segurança. Ele ficou de verificar. No seu retorno, falou que os formandos entrariam pela fila dos camarotes, junto aos seus acompanhantes. Os demais convidados entrariam pela fila normal. Porém, uma colega da Camila reservou um camarote para ela e seus convidados. A fila estava cheia de amigos e amigas dela; bem mais que os formandos. E eu ali, observando tudo ao meu redor e aguardando o momento de entrar e conhecer o ambiente. Então, o segurança liberou a entrada.
Ao me revistar, ele pergunta se tenho uma carteira de cigarro aberta; provavelmente viu eu fumando fora da fila. Respondi que tinha uma aberta e outra fechada. Pediu para ver. Ele olhou atentamente; abriu a carteira de cigarro para ver se tinha algo dentro. Depois, somente analisou a fechada e deixou eu seguir em frente. Avistei o Gustavo e a Pâmela entrando pela outra fila. Caminhei e avistei de longe um balcão, com computadores e recepcionistas. Fui para fila normal, enquanto a Camila ficou na fila dos formandos. A recepcionistas era gentil e direta ao ponto. Entreguei minha identidade e o card que concederia o desconto. Ela me cadastrou no sistema, pegou meu número e entregou um cartão magnético; a consumação. Ao me virar, notei uma escadaria e nela estava um segurança. Acho que seria a entrada para os camarotes. Nós subiríamos as escadas ou atravessaríamos uma porta giratória que tinha logo a frente? Aguardei a Camila junto com o Gustavo e a Pâmela. Não demorou muito para Camila chegar. Ela entregou sua consumação para mim e pediu para eu guardar; estava cinte que, se perdesse, poderia gerar um problema desnecessário e resolvi colocar dentro da carteira.
Peguei a mão da Camila, o Gustavo pegou a mão da Pâmela e nos encaminhamos para porta giratória, conforme orientação de um segurança; a produtora já estava aguardando num lugar reservado. Assim que atravessamos a porta giratória, do lado esquerdo na parede, havia uma espécie de pôster bem grande. Ou melhor, um plano de fundo para as pessoas tirar fotos. Pensei seriamente na possibilidade de parar e tirar uma foto, mas julguei desnecessário e segui em frente. Chegando no salão lembrei imediatamente da minha adolescência, quando saia de noite com meus amigos e minhas amigas. Aquele salão me remetia para os tempos de União, em Alvorada. A diferença é que o União é maior, e tinha duas pistas de dança. Ali, só havia uma. Agora poderia analisar a festa em si, e claro, curtir bastante.

O primeiro passo foi encontrar a produtora. Não foi difícil; estava do lado direito de quem entra, próximo a chapelaria. Havia um pequeno camarote, que, pelo que entendi, o acesso era livre; talvez, somente talvez, por isso os formandos entraram antes. As colegas da Camila começaram a tirar fotos. Eu sentei e aguardei. Enquanto isso, o Gustavo e a Pâmela estavam do outro lado, pegando uma bebida. A Camila e eu tiramos uma foto. Eu gosto de tirar foto beijando. Perguntei para fotógrafa se podia tirar foto beijando. Ela aprovou e já beijei meu amor. Então, a Camila pediu para que chamasse o Gustavo e a Pâmela para tirar foto com ela. Atravessei o salão e fui lá chamar eles. Nós três posamos para as fotos, com a finalidade de marcar aquele momento especial. Enquanto isso, a música tocava de forma alucinante. Músicas antigas com batidas atuais; músicas atuais com batidas alucinantes. Eu estava eufórico. Peguei o celular e comecei a tirar fotos e filmar. Meu grande problema surgiu: não sabia postar mais de uma historia no Instagram. Que desespero! Minha comunicação nunca me deixa na mão, alinhada ao meu poder de observação.
Fomos para pista e começamos a dançar. Nem parecia que a Camila e eu namoramos a quase 7 anos. Fiquei agarrado e beijando muito. Conforme o tempo passava, a festa enchia cada vez mais. Em determinado momento chamaram os formandos para mais uma sessão de fotos e um brinde; só os formandos. Fiquei dançando com o casal de amigos, tirando fotos. De repente, notei que uma colega da Camila estava com um Iphone tirando fotos e postando no Instagram. Não pensei duas vezes, chamei ela e me apresentei. Perguntei como poderia postar historias no Instagram, argumentei que só sabia postar uma. Devido ao som alto, ela não me entendeu. Imediatamente tirei o meu Iphone do bolso e mostrei para ela; em menos de 10 segundos ela entendeu e já estava me explicando como fazer. "Sou muito burro", pensei. Tem o ícone de uma câmera bem em cima, era só clicar ali. Agradeci e fiquei tirando fotos e filmando; até me arrisquei entrar ao vivo, mas não gostei e apaguei. Passaram-se uns 15 minutos e a Camila retornou. Ficamos dançando e, lógico, beijando muito. Aquelas músicas estavam demais.
Um garoto passou por mim e me empurrou, fui para cima da Camila. Alto, magro, vestia um moletom cinza. Não gostei. Mas vi que ele logo se posicionou para tirar uma foto com seus amigos. Talvez, na pressa de tirar foto, acabou me empurrando. Para sorte dele sou mais velho, tranquilo. Senão, certamente quebraria a cara dele. Sentiria a fúria de um deficiente. Apanharia de um homem que só mexe um braço; seria constrangedor para ele (risos). O que importa é a festa, sem essa de confusão por besteira; e nem tenho condições de suportar uma briga. E a festa estava ótima. Muita gente bonita; homens e mulheres. Um detalhe saltava os olhos: mais mulheres do que homens. Elas dominavam a festa. Só mais uma observação entre tantas, porque só queria curtir a festa com meu amor e mais nada.

E o funk começou. Até que era um funk diferente, que agitava a festa e tinha umas batidas muito legais. Mas funk sempre é funk. Olhei o relógio: quase 03:00 da manhã. "Vamos embora", conversei com a Camila e o casal de amigos. Quando nos encaminhamos para saída, a Pâmela lembrou que tinha deixado seu casaco na chapelaria e entrou na fila para pegar. Enquanto isso, a Camila e eu esperávamos um pouco afastados da fila.
Tinha uma menina alta, com uma saia bem curta, encostada na parede que servia de plano de fundo para fotos. Daí, apareceu um garoto, conversou um pouco e beijou. Ele encostado na parede. Que beijo. Estava preocupado com o que poderia acontecer, entretanto, outra cena perto do banheiro das mulheres estava acontecendo que chamou minha atenção. É uma estratégia muito velha (eu nunca usei, mas já vi muitos homens fazendo). É simples e idiota. O homem fica parado perto do banheiro das mulheres, quando elas saem, eles pegam na mão (às vezes vão além da mão) na expectativa de conseguir um beijo. "Ela fez xixi, agora é tudo mais fácil", é o que devem pensar. Não existe lógica nessa estratégia. E os seguranças chegaram; o rapaz estava cambaleando de bêbado. Tentou argumentar alguma coisa. O segurança se irritou e ordenou que saísse, dando um soco na costela do rapaz; doeu em mim. Foi um soco discreto que poucas pessoas notaram. Os amigos do rapaz chegaram, conversaram com o segurança e se afastaram, junto com seu amigo. Não demorou 5 minutos e já havia outro rapaz perto do banheiro das mulheres, usando a mesma estratégia. Com certeza alguma mulher reclamaria com o segurança e tudo recomeça.
Quando o casal retornou, a Pâmela com seu casaco, passamos pela porta giratória em direção à saída. O Gustavo e eu fomos para fila pagar as consumações; muitas pessoas estavam indo embora. Assim que saímos para rua, olhamos o movimento e mais pessoas estavam prestes a entrar; muitas pessoas. E a maioria, mulheres. Fomos para o posto pegar o carro do Gustavo. A festa tinha acabado para nós. Uma experiência incrível.

Resumo sobre a Woods: Uma festa sensacional, com pessoas bonitas e um ambiente maravilhoso. A organização dispensa comentários. Uma administração perfeita, processos simples e eficientes. A Woods fica localiza num bairro nobre, portanto, para curtir a festa é preciso estar ciente que vai gastar um dinheiro considerável. Eu não bebo (raramente), a Camila e o Gustavo também não. A Pâmela bebeu uma caipira. Não sei dizer o preço das bebidas, mas sei que a caipira é 20 reais, uma garrafa de água é 10 reais. Os "famosos Kit" devem ultrapassar 300 reais; o camarote superior deve ser 100 reais ou mais. Se uma água é 10 reais, uma cerveja deve ser 20 ou 25. Não sei dizer exatamente e não quero chutar, apenas uma lógica, que pode variar para mais ou menos. Se for na Woods com muitos amigos e muitas amigas, se todos dividirem, vai sair barato e podem amanhecer bebendo e dançando. Conheci a Woods num dia de Show de Funk. Se tivéssemos ido uma semana antes, poderíamos curtir o show dos Inimigos da Hp; grupo de pagode que gosto. Também têm shows sertanejos. Não tenho dúvida que nesses eventos tudo é mais caro. A oferta aumenta para controlar a demanda. Normal! Se eu recomendo? Com certeza. Se não é a melhor festa de Porto Alegre, deve estar entre as 3 melhores. De acordo com meu ponto de vista e analise, acho difícil uma festa ter tanta organização. Parabéns aos Administradores.


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Na saída.


Beijos no meu amor!





Uma música sensacional.




segunda-feira, 9 de julho de 2018

Passeando em Canoas




Minha namorada precisava fazer um book fotográfico para sua formatura, na produtora ST, localizada em Canoas. Logicamente que me convidou para ir junto, e eu sabia o quanto era importante para ela. Dia 04 de julho, às 15 horas. Não conheço Canoas e seus detalhes, suas avenidas e ruas, mas acredito piamente na minha comunicação. Desta vez não seria diferente. O que poderia acontecer de errado? Nada poderia impedir nossa trajetória.
No horário combinado, peguei o ônibus e fui ao centro de Porto Alegre. A Camila estaria lá, me aguardando para almoçarmos e irmos à estação, pegar o trem rumo à Canoas. Até aquele momento, apenas um casal almoçando e conversando. Conta paga. Agora, era questão de seguir nosso destino. De mãos dadas, sorrindo e brincando um com o outro, chegamos na estação. Da estação em diante uma série de situações se iniciariam. Houve um momento engraçados, logo após passarmos a catraca. Achei estranho a reação do rapaz. Sinceramente, me pareceu muito idiota tal atitude.
O pior estava reservado para Canoas. Jamais pensei que poderia acontecer comigo. A Camila dava altas risadas. Quem não conhece, jamais saberia o significado. Eu namoro faz 7 anos, sei perfeitamente o que significa as risadas dela em excesso. Canoas me surpreendeu. A produtora ST também acabou me surpreendendo.

Estávamos bem adiantados. Ao atravessarmos a roleta e caminharmos em direção à plataforma, avistamos um casal. O rapaz branco, alto, com sua namorada (talvez mulher). Uma loira de estatura baixa. O rapaz foi mexer no bolso e deixou cair uma moeda. Conversou rapidamente com sua companheira e seguiram caminhando. Segurei firme a mão da Camila, caminhei rápido e peguei a moeda do chão, uma moeda de 0,25 centavos. Tentamos alcançar o casal para devolver a moeda, o que não foi possível. Precisamos subir a escada rolante e chegar a plataforma. Então, ao nos aproximarmos do rapaz, a situação ficou estranha. O rapaz muito bonito. Os olhos verdes água, bem claro, seguido de um rosto angelical. Sua namorada também, olhos claros lindos, mas não tinha tanta beleza quanto ele. Tentei entregar a moeda.

- Moço, deixou cair uma moeda.
- Esta moeda não é minha.
- Mas eu vi cair do teu bolso. Estou devolvendo.
- Não é minha. Mesmo que fosse, pode pegar para ti.
- Então, é tua, só quero devolver.
- Não, não (risos). Não é minha.
- Tudo bem, então.

Peguei a mão da Camila e nos afastamos. "Queria ver se fosse uma nota de 100 reais, duvido que ele não ia querer", comentou a Camila. Sei lá o porquê ele negou. Talvez seja uma tradição de família, tipo: se cair uma moeda tua no chão não pegue, pois dá azar. Nem me concentrei na negativa do rapaz. Queria apenas curtir a viagem, minha namorada. Ansiedade por chegar na produtora e tirar fotos. Seria legal, divertido. Porém, ao descermos na Estação Canoas, as confusões começaram. E a Camila dava risada. Nem sempre é um sinal positivo as risadas do meu amor.

As informações que a produtora passou para Camila eram objetivas: descer na Estação Canoas, chegar ao centro, dobrar a esquerda, caminhar até uma passarela de madeira e encontrar uma churrasqueira; a produtora estaria perto. Muito simples, contudo a estação tem duas direções, e o centro é gigante. Atravessamos a roleta e caminhamos para esquerda. Quando estávamos descendo, parei e questionei a Camila. "Será que o centro não é para o outro lado? Vamos perguntar para aquelas meninas". Elas apontaram para direita. Então, descemos e chegamos no centro. Muitos ônibus e comércio dos dois lados. Tinha duas senhoras perto de um carrinho de pipoca. Perguntamos para elas se conheciam o endereço: Av. Dr. Sezefredo Azambuja Vieira, 22. Elas disseram que não conheciam e indicaram o fiscal de ônibus, que com certeza saberia nos informar.
E ele explicou. Disse que estávamos longe, que seria necessário pegar um ônibus. "Eu sei que é longe, mas disseram que era só caminhar. É perto de uma churrascaria", argumentava a Camila. O fiscal pareceu recordar. Falou de uma churrascaria chamada Passoquinha. Disse que precisávamos retornar para estação e atravessar para o outro lado.
Peguei a mão da Camila e retornamos, conversando e dando leves risadas. Ao chegarmos do outro lado, avistamos dois táxis amarelos, parados, numa espécie de praça. Acreditei que seria importante perguntar para um taxista o endereço. Qual foi nossa surpresa? O taxista conhecia o endereço. Orientou que retornássemos para o outro lado. Agradeci e retornamos. A Camila sorria, dava altas risadas. Quando faz isso, é porque está nervosa. E sobra para mim. Entre uma risada e outra, ela me xingava. Paramos no meio do caminho, e decidi retornar e descer aquela rua. Quem sabe, a gente avistava uma churrascaria. Voltamos, passamos pelo taxista de forma discreta, e encontramos um CFC. Novamente pedimos informação. O taxista estava certo, precisávamos atravessar para o outro lado. Retornamos. A Camila dava risada, chamava minha atenção, mais risadas... Quase apanhei.
Chegamos do outro lado, o centro (descobrimos depois que era o centro) e a Camila não queria nem olhar o fiscal de ônibus. Dobramos a esquerda e entramos numa loja de langerie; pedir mais informações. A moça disse que não sabia, mas o dono da padaria que havia na esquina trabalhava no mesmo local há mais de 30 anos. A Camila entrou na padaria e conversou com o proprietário que, de fato, nos mostrou um caminho: seguir em frente até a BR, que haveria taxistas para nos indicar melhor. Chegando lá, falamos com um policial.

"Dobra a direita, sobe, depois dobra a esquerda. Vão avistar a passarela e a churrascaria Passoquinha", disse o policial. Tínhamos 20 minutos para chegar na produtora. Seguimos as orientações e encontramos a tal passarela de madeira. Atravessamos a passarela. Chegamos numa rua estranha. Uma descida. Na esquina estava a tal churrascaria do Passoquinha. "Finalmente vamos chegar na produtora", pensei. Caminhamos. Nada. Olhamos para a direita e avistamos uma ferragem. E lá vamos nós, perguntar novamente. O dono falou que estávamos perto. Que era só dobrar na esquina, subir a rua que encontraríamos o endereço. Meu Deus! Finalmente encontramos a avenida. Ela estava num cruzamento. Dobramos a direita e olhamos os números; quanto mais descia, aumentava os números. Decidimos voltar e caminhar na direção oposta, atravessando a rua.
Tinha uma praça vazia e um terreno baldio. "Esta rua não tem cara que tem uma produtora", comentei com a Camila, que seguia rindo e xingando. Eu tentava acalmar ela. Encontramos um morador, perguntei onde era o número 22, e se ele conhecia a produtora ST. "Acho que tem uma produtora, do outro lado", foram as palavras daquele senhor. Que loucura. Olhei para o relógio, enquanto caminhava de volta. "Para de olhar esse relógio. Está me irritando". Olhei para ela e respondi: "Calma amor, tudo vai dar certo". Busquei descontrair o clima.
De repente, ao atravessar a avenida, observei um prédio. Ali, no portão, estava escrito "Produtora ST", mas era bem pequeno. "Quem é o gestor de Marketing? Não poderia cuidar do Marketing Visual?", pensei e quase falei. O importante é que estávamos na produtora, exatamente às 15 horas. Nos encaminhamos para a recepção. Se imaginasse que a produtora atua de tal maneira, certamente teria fechado contrato para minha formatura de 2017.

As recepcionistas foram gentis com a nossa chegada e iniciaram o primeiro processo: nome, telefone, endereço e horário marcado para as fotos. Enquanto a Camila falava, observei atentamente os detalhes. Do lado da recepção, havia uma parede de vidro e 5 computadores. Visivelmente era onde editavam as imagens. Também tinha poltronas confortáveis para sentar. Depois de confirmado os dados, a recepcionista pediu que aguardássemos na sala de espera. Nos indicou um corredor. Ao chegar no final do corredor, fiquei boquiaberto. Trava-se de uma cafeteria toda decorada. Mesas redondas e cadeiras. Um balcão grande, com uma atendente. Na parede a esquerda de quem entra, uma parede de tijolos, uma série de máquinas fotográficas e câmeras de filmagem antigas, expostas dentro da parede e coberta por um vidro. Quadros e outros aparelhos; E uma televisão grande, ligada num canal esportivo. Abaixo, uma pequena lareira, que aquecia o ambiente e tornava tudo mais bonito. Um ambiente retrô. A decoração transmitia tranquilidade e confiabilidade nos serviços ofertados.
A maquiadora chamou a Camila. Enquanto ela se maquiava, comprei um café e tomei, assistindo os comentários esportivos. Assim que a Camila retornou, tirei minha jaqueta e tiramos umas fotos do celular dela. Eu estava com minha camisa azul social e ela com uma camisa vermelha. Mal tiramos as selfies e chamaram para as fotos individuais. Naquele momento, uma colega da Camila estava na espera, junto de seu marido e filha. Enquanto ela tirava as fotos, conversei com o casal, brinquei com a criança. Depois acabei saindo para rua, fumar um cigarro. Quando retornei, a colega da Camila já tinha ido se maquiar e seu marido estava tomando um café, com a menina no colo. Sentei do lado dele e puxei assunto sobre a Copa do Mundo. Passados uns 10 minutos, uma moça surgiu na sala e fez uma chamada inusitada.

"O marido da Camila para tirar fotos". Subi de cargo e nem sabia. Sorri e caminhei ao lado da moça, que me levou até onde estava a Camila. Chegando lá, a fotógrafa foi muito simpática, querida, nos deixando a vontade. Achei um tanto engraçado. A fotógrafa ficava instruindo a gente: bota a mãe ali, pega isso, olho nos olhos, beija, senta, levanta... Comentei: "Não sei por que quis ser Administrador. Deveria ser modelo...", muitas risadas. Após a sessão de fotos, nos solicitaram que aguardássemos um pouco na cafeteria, que em breve chamariam para escolher as fotos para formatura que vão aparecer no telão.
Levou alguns minutos e chamaram a Camila. Nos despedimos da sua colega e fomos para sala que fica ao lado da recepção. Como desconfiava, realmente era aonde as fotos eram tratadas. A Camila escolheu as fotos. Conversaram valores para um outro pacote que não está no contrato. Nos levantamos e caminhamos rumo à saída. Agora a gente sabia o caminho de volta para estação. Na verdade, até me perdi de novo, mas estávamos no centro de Canoas, e qualquer pessoa poderia dizer onde fica a estação. Sobre a produtora ST? Recomendo. Ambiente lindo. Pessoas cientes do processo; todos com a mesma informação. É a melhor produtora que conheço. Conversamos bastante no caminho. Ao pegarmos o ônibus de volta para casa, encontramos um ex-colega do curso técnico. Mas é outra historia...

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Precisamos Discutir Mais



Precisamos entender o que é uma discussão e o que é um debate. A diferença entre um e outro é simplória. Aprendi no meu curso Técnico em Administração e nunca mais esqueci, na aula de Comportamento Organizacional. Saudoso professor Carlos Kulzer. Basicamente, discussão é uma troca de ideias, conceitos, nada mais nem menos. O debate já é mais agressivo. É quando uma pessoa quer impor o ponto de vista dela sobre o teu. Praticamente torna-se uma guerra verbal, onde é possível acontecer muitas ofensas; amizades terminam; inimigos nascem. Por essas e outras que é preciso ter cuidado. Uma discussão saudável é maravilhosa para crescer, conhecer pensamentos alheios. Porém, senão prestar atenção, a discussão vira debate.
Podemos analisar a questão em si sobre outra perspectiva. Jornalistas discutem muito com políticos, por exemplo; fazem perguntas, citam exemplos. Os políticos respondem e, muitas vezes, acabam se enrolando, ficando bravos e chamando para um debate (impor seu ponto de vista). Nas eleições, independente de cargo, ouvimos falar de Debate Político, e o motivo é óbvio. Eles não querem discutir o melhor para o país, mas sim, mostrar que sua ideia é melhor e a do adversário é ruim. Ficou clara a diferença entre debate e discussão? Creio que sim.
A partir de agora, conforme o título, escreverei porque acredito que devemos discutir mais. Este senhor que vos escreve já discutiu/debateu com inúmeras pessoas. Amigos, amigos de amigos, pessoas cultas, pessoas sem noção, fanáticos, futebol, política, racismo, deficiência, machismo, feminismo... A lista é gigante. Como devemos nos comportar diante uma discussão ou, até mesmo, o início de um debate? Posso garantir que sempre é bom, que o crescimento intelectual acontece. Certa vez discuti com a Renata, uma amiga querida, casada com meu ex-colega de trabalho, o Edimar. Veja o que aprendi.  Perceba que não existe vitória nem derrota, apenas crescimento intelectual. Precisamos discutir mais.

Certa vez escrevi no meu Facebook sobre a série Casa de Papel. Na postagem, afirmava que não via nada de interessante, que era pura perda de tempo. Seria melhor ler um livro. Escrevi ciente que alguém viria para cima de mim, e eu estava disposto a debater. Só que não esperava que fosse surgir a Renata com uma discussão saudável que desmontaria meus argumentos. Ela deixou claro, de forma educada, que uma série é um entretenimento como futebol, novela e tantos outros que existem. Que as pessoas assistem para relaxar, descontrair; esquecer os problemas. Após essas considerações, entrei na discussão de cabeça e contrapus o ponto de vista dela. O que aconteceu? Ela argumentou mais forte, quebrando minhas defesas. Se teimasse e iniciasse um debate, certamente levaria uma surra intelectual. Concordei com ela e encerrei. Naquele momento fiquei curioso para assistir uma série, por causa dos argumentos da Renata. Aprendi muito com ela. Se ficasse no meu mundo, não respondesse ela, jamais aprenderia.
Mês passado fiz um comentário numa postagem de outra amiga. Ela postou algo sobre aborto, útero alheio e por aí vai. Comentei que existiam meios de prevenir uma gravidez antes de pensar em aborto, citei camisinha e anticoncepcional. Eu esperava discutir com a minha amiga, porém aconteceu o que eu não imaginava. As amigas delas vieram para cima. Nitidamente eram feministas. Partiram para o debate direto, sem conhecer meu ponto de vista. Já saíram me acusando de machista, que o corpo é da mulher e blábláblá! Meu posicionamento foi simples. Educadamente expliquei que não era machista, preconceituoso ou algo do tipo. Falei que era favor do aborto, desde que se criem critérios. A questão jamais pode ser encarada como abortar por abortar. Nesse caso seria contra. Cada vez que argumentava, elas me atacam mais e mais. Contudo, somente pontos sobre feminismo, sociedade machista e homem querer mandar. Percebi que minhas perguntas não eram respondidas. Encontrei o ponto nevrálgico e comecei a bater em cima, despejando muitas perguntas, carregadas de informações. Pronto. Acabou o debate. (Não olhei mais a postagem, ciente que não haveria argumentos e tudo seguiria em cima de feminismo vs machismo; algo que não me acrescenta em nada.)


Em uma discussão aprendi com a Renata. Durante um debate só perdi meu tempo e pouco ou nada aprendi. Eis algo importante para aprender: avaliar situações de forma diferente. Diante um assunto que tem uma opinião formada, pense: Vale à pena iniciar uma discussão? A pessoa é receptiva ou ignorante (no sentido de ignorar)? Posso aprender com ela? A amizade não será afetada? Pontos simples que exigem avaliação. Já fui excluído do Facebook somente por pensar diferente. Após avaliar e dar início a discussão, procure saber por que a pessoa pensa daquela forma. Se posicione, mas faça perguntas que te farão crescer e aprender. Tenha curiosidade. Respeite, seja educado. Jamais entre numa discussão pensando em vencer. Não existe vitória nem derrota, só aprendizado. Esteja pronto para aprender e ensinar. E o mais importante, entenda que é somente uma discussão; não queira perder amizades por alguém pensar diferente de ti. Se virar um debate, e sentir que teu adversário é agressivo e hostil, simplesmente saia e não insista. Certas pessoas não querem debater, querem ofender e destruir; isto é totalmente errado. De certa forma, infantil.
Ontem discuti com meu amigo de muitos e muitos anos; do tempo da Locadora do Márcio, onde jogávamos vídeogame. Tudo iniciou a partir do futebol, Copa do Mundo. De repente, estávamos falando sobre política, Lula, Temer, Administração, Propaganda, Marketing, significado da palavra Piegas, manipulação... Fugimos muito da discussão inicial. Meu amigo querido, educado, com uma visão e tanto. Cada argumento dele tentando sobressair sobre os meus, geravam textos gigantes. Achei divertido. Agradeci o crescimento, a troca de ideias e encerrei. Eu poderia insistir, que nossa amizade não mudaria em nada. Algo muito legal e raro de acontecer. Por isso é importante fazer uma avaliação de com quem vamos conversar sobre determinado assunto. Senão houver avaliação de forma correta, certamente amizades vão acabar, ofensas vão acontecer. Mágoas e mais mágoas.

É importante discutir. Conhecer o ponto de vista de outra pessoa. Imagina que legal as pessoas discutindo sobre política, o melhor para sociedade. As discussões acontecendo para evolução. Infelizmente não é assim. A maioria das pessoas ocultam seus pensamentos, não estão abertas para aprender e ensinar. Cada um por si. As pessoas pensam mais no benefício próprio do que no coletivo. São poucas, pouquíssimas pessoas com capacidade de aprender e ensinar. Defendo que devemos discutir mais, trocar ideias evolutivas, tudo com respeito, educação e serenidade. Para discutir não é preciso ser formado nisso ou aquilo, tampouco ser mega inteligente. No caso de um debate, sim, é preciso ter conhecimento sobre o que se fala.
Espero que este texto possa ajudar nas futuras discussões; que discuta mais e busque aprender, evoluir.



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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O professor Leandro





Eu estudei com o Leandro em meados de 2012. Ele ensinou para turma sobre como montar um Plano de Negócios: Economia, Marketing, Planejamento, Contabilidade, Financeiro entre tantas matérias importantes para fazer um negócio funcionar, ser lucrativo e se manter. No final do módulo ganhei de presente uma camiseta da Puma. Não demorou muito para afirmarmos uma amizade sincera, que dura até os dias atuais.
Passado alguns anos, nos tornamos colegas de trabalho no Sistema FIERGS. Sendo colegas, conheci mais o Leandro e a gente pode debater diversas vezes, algumas até mais calorosas. Entre tantos debates, um ficou marcado na minha mente. Em meados de 2015 o povo saiu para rua, reivindicou direitos, parou o trânsito; milhões de pessoas exigiam melhorias na Saúde, Educação e Segurança. Naquela época, o Leandro ficava revoltado, afirmava que não ia adiantar, que o governo tem muitas manobras. Era perda de tempo e só atrapalhava trabalhadores. Eu dizia que era certo, que tinham que parar mesmo, fazer bagunça, até o governo melhorar as coisas. Passaram-se mais de 3 anos e, hoje, entendo perfeitamente o que o Leandro quis dizer. Entendo o ponto de vista.
Enquanto escrevo este texto o país vive uma greve dos caminhoneiros, por causa do aumento da gasolina. Tal greve vem afetando não somente o abastecimento de gasolina, mas afeta a distribuição de insumos importantes. Daqui a pouco não vai haver gasolina (em vários estados não tem), dinheiro, comida, remédios, não vai ter ônibus... A lista é longa. Dá mesma forma que o movimento "O Povo Acordou" morreu cedo, acontecerá o mesmo com os caminhoneiros. Concordando com o Leandro, escreverei o porquê tal greve não faz sentido. Até certo ponto foi legal, mas não vai adiantar em nada. A visão cavalar impede de enxergar a verdadeira mudança.


O lado positivo desta greve dos caminhoneiros é que não envolve partidos políticos. É uma luta da classe trabalhista. Mas a luta perde o sentido a partir do momento que atrapalha outras pessoas que nada tem a ver com isso. Pelo que os caminhoneiros estão lutando? Redução do Diesel. Talvez a gasolina. É a luta deles. Melhorias na Saúde, Educação e Segurança? Não, não. Definitivamente, não. Tudo vai seguir da forma que está.
Provavelmente vão reduzir o preço em alguns centavos. Não tenho dúvida que vão conseguir. O que vai acontecer posteriormente é que me assusta: o governo vai aumentar o preço gradativamente. Da mesma forma que faz com as passagens; todos gritam e fazem protesto, o governo aceita e reduz, depois aumenta e ninguém fala nada. É uma manobra que todo governo realiza, independente do partido. A historia mostra isso.
Por quê todo o esforço dos caminhoneiros é em vão? Porque as pessoas vão votar nos partidos de sempre, os políticos de sempre. Ou seja, as chances de algo mudar verdadeiramente, é zero. Os impostos vão continuar, a carga tributária e trabalhista vai seguir da mesma forma. O país está sofrendo por causa de alguns centavos. As pessoas enxergam os caminhoneiros como heróis, seres celestiais que vão revolucionar o país. Não é assim. "Os caminhoneiros mandam no país", pensam diversas pessoas. E se os bancos pararem de trabalhar? A Corsan, CEEE e outros tantos profissionais? Já pensou se todos que pensam mandar no país pararem de trabalhar? Vai ser um verdadeiro caos.
Entenda que os caminhoneiros estão defendendo o que lhes interessa. Não é por todos. A luta é na hora de votar, escolher o que é certo para o país, não somente no próprio bem-star. Pode votar em quem quiser: Lula, Dilma, Marina, Bolsonaro, Ciro, Capitão América... Tanto faz. Porém, que seja alguém capaz de administrar o país, não somente teus interesses pessoais.


A verdadeira mudança está na política, jamais em protestos, greves e paralisações. E a questão não é votar em presidente. A política está em todos setores. Escolha bem teu vereador, prefeito, governador, senadores... Todos são importantes. Depois não adianta reclamar, chorar. Vote pensando no país. Busca entender o que acontece. Por que o preço da gasolina subiu? Como funciona o Bolsa Família? Quem paga? O que o PT fez? O que o PT não fez? E os governos anteriores? Leia, veja vídeos, converse com pessoas qualificadas e imparciais; não escute somente o que quer ouvir; uma opinião diferente é importante.
É triste ver pessoas sendo manipuladas por políticos, postagens mentirosas. Rindo de uma situação séria e babando em cima de um governo corrupto, que matou milhares de pessoas nos hospitais, através da falta de segurança. E é triste, lamentável, ver pessoas dependendo de caminhoneiros para melhorar o país. Acreditando numa evolução inexistente. A luta é pela redução do Diesel. E só. Quer outras mudanças? Pensa antes de votar. Pesquisa. Aprende. Não fique dependendo de fatores pitorescos para evoluir. Coloca de uma vez por todas na tua cabeça: o que muda um país é o voto. Qualquer coisa contrária, é mera ilusão. Bom, outra coisa que pode fazer mudar, é a guerra civil. Mas como diz o Leandro, o povo não tem coragem para isso.


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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Gasolina





O preço da gasolina está cada vez mais alto. As pessoas estão revoltadas, indignadas e, claro, tem razão. Mas existem diversos fatores que muita gente não enxerga. Por isso, fica simples usar elas como massa de manobra, através de informações falsas e ilusórias. Podemos analisar toda esta situação da gasolina através do Diagrama de Causa-Efeito do Kaoru Ishikawa - Teórico da Administração das companhias japonesas. O diagrama faz parte da Gestão da Qualidade. A teoria é muito simplória, e sua eficácia é inegável: relação entre dois eventos, sendo o primeiro a causa do segundo. Neste ponto definimos o aumento da gasolina sendo o efeito; população revoltada, insatisfação, inúmeros protestos e aumento dos produtos e serviços. E a população, de forma geral, só enxerga o efeito, jamais a causa. Neste texto vou escrever sobre a causa do aumento da gasolina.



Grande parte da população acredita que a culpa é do governo atual. Acreditam que, se o PT estivesse no governo, a gasolina seria menos de R$ 03,50. Eu acredito no oposto: a gasolina estaria acima de R$ 05,00. O PT e seus aliados roubaram mais de 200 milhões de dólares da Petrobras. Com certeza alguém vai pagaria esta conta. As estatais, o governo e os envolvidos no roubo é que não vão pagar. Para quem sobra? Exatamente. O povo. Então, não adianta reclamar, chorar. O aumento aconteceria de qualquer forma, independente do governo. Senão houvesse roubo, quem sabe, até poderia diminuir o preço. Porém é algo que nunca vamos saber. O que é visível são os acontecimentos posteriores: petistas posando de vítima, falando de governo golpista e jogando dados falsos nas redes sociais. E muita gente acreditando, compartilhando e defendendo tais informações. Ao invés de procurar uma solução, ficam protegendo partidos e políticos, conforme suas intenções subversivas. Cada pessoa faz o que acha melhor para si. Errado é ocultar a verdade, tentar fazer com que as pessoas enxerguem somente um lado da historia. Podem acreditar no Lula, Dilma, PT, Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa. Tanto faz. Mas a causa do aumento da gasolina é porque roubaram a Petrobras, certo?


"Eu voto no Lula, se ele não concorrer, voto em quem ele indicar, entendeu?" Isto é ser manipulado e não pensar no país. Para quem pensa assim, infelizmente: merecem o país que tem. Ainda não aprenderam e gostam de acreditar em mentiras. É verdade que muitas pessoas se beneficiam no governo PT. Claro, dão bolsa isso, bolsa aquilo. Incentivam as pessoas a não trabalharem e ficarem em casa, apenas recebendo. Enquanto isso, os trabalhadores, empresários que geram empregos, precisam pagar através de impostos para manter as regalias de milhões. O que acontece? Desemprego, empresas fechando, pois não conseguem segurar a alta carga tributária e trabalhista. Consegue enxergar uma causa para o desemprego? Tudo é Causa-Efeito, basta prestar atenção. Quando algo acontecer, pare de procurar culpados e veja a situação como ela realmente é, e não como gostaria que ela fosse. Entendeu? Exija melhorias, mas não fique defendendo este partido ou aquele, porque todos fazem parte da mesma coisa.


Espero que este texto possa ajudar a refletir mais. Pense antes de compartilhar informações. Não acredite em tudo que ver em redes sociais. Pergunte para pessoas mais qualificadas; não é feio perguntar. Pesquise e busque aprender, entender. O país, hoje, realmente está uma bagunça e existem muitas opiniões diferentes. Mas nada pode mudar os fatos, nada justifica tudo que aconteceu até agora. Contudo, podemos parar e pensar em como tudo aconteceu e o porquê.


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segunda-feira, 12 de março de 2018

O Profissional de Marketing - Academia




Eu queria ter uma oportunidade para poder atuar no Marketing de uma empresa pequena. Uma Consultoria, talvez. Com a finalidade de fortalecimento da Gestão de Clientes, Gestão do Produto/Serviço e Gestão da Marca, visando o lucro em longo prazo. Introduziria o Marketing 3.0, que envolve toda empresa e seus stekeholders (parceiros estratégicos).
A maioria dos profissionais atuantes no mercado pratica o Marketing 1.0; produção em massa, gerando demanda e vendas (o importante é a venda, não importa o custo). Alguns profissionais evoluíram para o Marketing 2.0; direcionamento de um produto/serviço no mercado. Mas pouquíssimos praticam o Marketing 3.0; não é mais uma ferramenta, e sim, faz parte de uma estratégia.
A partir de agora, vamos imaginar uma situação fictícia. Fui contratado para gerenciar o Marketing de uma academia de bairro. A academia X. Então, qual seria meu primeiro passo como Gerente de Marketing? Lembre-se que é uma empresa pequena, onde não existem acionistas ou diretores. Me reporto diretamente ao proprietário, que certamente vai querer novos clientes e retorno financeiro. Devo lançar promoções para atrair novos clientes? A academia tem condições de suportar novos clientes? Meus primeiros passos no Marketing.


Após a contratação conversaria com os funcionários. Quero saber sua formação, se está estudando. Caso seja formado, está buscando atualização? A empresa incentiva seus estudos? É uma empresa pequena, é fácil conversar com os funcionários. A recepcionista é a que mais me interessa. Ela que recebe os clientes. Ela sabe técnicas de venda? Como ela apresenta a academia para os clientes? Preciso entender o processo, o que a equipe faz. Sem informações, é impossível introduzir o Marketing. Os funcionários precisam entender o quão importante é o trabalho deles.
Depois dessa conversa inicial com os funcionários, agora preciso conversar com o proprietário, explicar que a Missão, Visão e Valores vão nortear nosso trabalho e a busca por resultados, sempre visando o bem-estar dos alunos. Se os alunos estiverem bem, o lucro será uma consequência natural. Trabalharei com o Marketing um para muitos. Ou seja, alunos (as) felizes com seus resultados postando nas redes sociais e divulgando para outras pessoas. Começara o fortalecimento da marca.
Após a conversa com o proprietário, explicando termos técnicos e seus efeitos, pensei bastante sobre nossa Missão diária. Entendendo que o proprietário, o senhor Augusto Ferraz, ambiciona expansão dos negócios, também já sei qual será nossa Visão. Sabendo que a minha equipe é educada e está pronta para novos desafios, foi fácil criar os Valores. A partir de agora, a academia vai ter um Slogan. O projeto inicial está pronto e ficou assim:

ACADEMIA X - Supere seus limites.


  • Missão: Ajudar os alunos(as) a alcançar seus objetivos e superar limites.
  • Visão: Ser referência na busca por resultados de excelência e estar entre as melhores academias do município.
  • Valores:  Paciência com os alunos; Respeito; Cordialidade; Foco em resultado; Integridade com todos.
Estamos norteados. Agora vamos tratar da estratégia. Será realizada uma pesquisa simples com os alunos, para saber qual o grau de satisfação. Através das respostas, poderei reunir a equipe e conversar sobre o que está dando certo e o que os alunos estão reprovando, tanto em treino como em atitudes que não sejam profissionais. Aplicarei o conceito de Cocriação para definir melhorias no layout da academia. A cocriação diz que os clientes são capazes de melhorar os serviços existentes em qualquer empresa, e na academia X não será diferente. Farei isto de duas maneiras: pesquisa e SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). Sim, a academia X agora tem este serviço de vital importância: academiax@gmail.com ficará disponível e será responsabilidade da recepcionista cuidar os emails. Ficarei com o email aberto no celular para ajudar ela em casos mais complexos. A primeira estratégia está pronta.

Os professores estão orientados a circular pela academia e ajudar a todos de forma igual. Os (As) alunos (as) que tiverem dificuldade terão maior atenção, enquanto aqueles que já sabem executar seus treinos receberam dicas para melhorar suas performasses. Caso o (a) aluno (a) julgue não ser necessário as dicas, o professor não vai insistir, respeitando a decisão (respeito, um dos valores).
A recepcionista vai tornar-se uma vendedora. Ela vai mostrar para os clientes potencias a academia, apresentando os professores e os aparelhos disponíveis. A recepcionista terá salário fixo mais variável. Não posso incumbir metas agressivas de vendas. É uma academia de bairro, o espaço não é gigante, portanto, preciso fazer uma média dos alunos ativos nos horários de funcionamento. E antes de tudo, ela vai precisar aprender mais sobre os aparelhos, os treinos e todos os serviços ofertados. E isso demanda tempo. Sem falar nas técnicas de vendas que vou ajudar a desenvolver.

Conseguiu perceber o que o Marketing faz? Não é somente lançar produtos/Serviços que nem louco. Antes de buscar novos clientes, o importante é manter os que têm. Além disso, estar preparado para receber novos clientes. Os funcionários precisam estar cientes da estratégia. São meus primeiros passos. Existem muitos outros: analisar as despesas, a formação de preço, estabelecer um período para manutenção preventiva dos aparelhos, observar tendências; o que a economia diz sobre academias. São processos simples, mas a maioria dos empreendedores não faz; falta conhecimento ou vontade. Faça o teste. Entre numa academia e pergunte: "Por que devo treinar aqui?" A maioria não vai saber responder. Se fosse minha funcionária, responderia sem exitar: "Porque nossa academia vai te ajudar a alcançar teus objetivos e superar teus limites..."                 







Fonte:


Marketing 3.0 - Philip Kotler

Info Escola - Missão, Visão e Valores: Os princípios essenciais. Disponível em https://www.infoescola.com/administracao_/missao-visao-e-valores-os-principios-essenciais/ acesso em 08 de março de 2018.


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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Evolução Textual - Dicas




No feriado de 7 de setembro de 2017 fui à igreja. Mamãe sempre me convida para ir junto, e estava precisando reforçar meu lado espiritual. Chamei um Uber para nos levar à igreja. Chegando lá, ouvimos a palavra, cantamos e nos divertimos. Tudo perfeito. Retornamos para casa eram 17 horas e pouco. O tempo estava agradável. Na frente da minha casa tem uma quadra de sete (já foi um campo, depois fizeram duas quadras de sete e uma praça no meio. Desmancharam tudo e ficou jogado ao lixo. Agora tem uma certa quadra aberta. Bom, é outra historia) e algumas pessoas estavam jogando futebol: meminos, meninas, casais; tinha até mulheres mais velhas acompanhando a partida. Mamãe entrou para dentro de casa e avisei que ia assistir ao jogo.
Eu conhecia algumas pessoas que estavam na quadra e, ao me aproximar, me convidaram para jogar. Gentilmente agradeci e recusei, pois tenho medo de me machucar (às vezes brinco com as crianças). Os times decidiram que era melhor trocar de lado e caminharam em direção contrária a quadra. Neste momento, um amigo meu se aproximou e puxou assunto, perguntando como eu estava, se já tinha arranjado trabalho e essas coisas. De repente, do meu lado, apareceu o Cristian, meio sem jeito. Decidi puxar assunto com o menino. Não perguntei somente de trabalho, mas sim, sobre sua produção textual. Em outra oportunidade havíamos conversado sobre textos, e ele relatou que tinha dificuldade com ponto e vírgula, não sabendo quando usar. O Cristian é muito querido e tem força de vontade, sempre desejando evoluir. Ele faz muitas perguntas quando conversamos.
Mas afinal, quem é Cristian? É um menino que converso às vezes. Chamo de menino, porque sou mais de 10 anos mais velho. O Cristian quer escrever melhor. Pessoalmente passei algumas dicas, agora pretendo me aprofundar na questão e deixar registrado um pequeno e valioso conhecimento sobre textos. Assim, sempre que houver dúvidas ou se perder, poderá consultar. As dicas não são somente para o menino Cristian, mas para todos que desejam evoluir seus textos e adquirir maior conhecimento. Tudo será divido em subtítulos, para facilitar a compreensão.


A Leitura


A leitura é peça chave na engrenagem do conhecimento. Sem ela, é impossível ser inteligente e, muito menos, escrever bem. Não tem como. Nunca conheci alguém que escreva bem e não goste de ler. Escreve bem? Lê muito. Escreve mal? Não lê. Simples assim. Presta atenção em alguns textos do Facebook. As pessoas escrevem "Fasso", "Saldade", não sabem a diferença entre "Mas" e "Mais", "Este" ou "Esse". Enchem um texto de vírgulas, não sabem quando botar ponto final. Ou, pior ainda, escrevem textos retos, sem vírgula e ponto. São extremamente limitadas e desconhecem palavras e formas de expressão. O que é isso? De novo: Falta de leitura.
Então, o primeiro passo para escrever bem é a leitura. Através dela que vai conhecer palavras, formas de expressão, saber usar virgulas, ponto, dois pontos, ponto e vírgula. Claro, a leitura vai fazer tu falar melhor, saber comunicar o que deseja. Esta é uma dica básica sobre a importância da leitura. A próxima dica é como ler. É um processo muito simples, mas as pessoas complicam e acabam desgostando. Veja como deve começar...

Aprendendo a Ler


O primeiro passo é ler o que gosta; nada de leituras obrigatórias ou livros pesados, com palavras difíceis. Tem que ser devagar. Uma ótima forma de começar é lendo gibis. Pode até ser algo mais infantil. Este senhor que vos escreve ama os gibis da Turma da Mônica e lê até hoje. Não gosta de gibis? Que tal ler as notícias? Não precisa ler sobre Economia ou Política. Entra num site e escolhe uma notícia. Ou lê um jornal, somente o que julgar interessante, sem necessidade de ler tudo. Pode ler também um site sobre Jogos, Moda, Tecnologia; o que quiser e se sentir bem. Faça este processo constantemente. Adivinha? Iniciou o processo da leitura. Os teus olhos vão acostumar e teu cérebro vai pedir, toda vez que ousar parar. "É só fazer isso que começo a gostar de ler?" Sim, sim. Leia tudo que gostar, sem forçar. "E quando posso ler livros?" Boa pergunta.
Os livros seguem a mesma lógica: ler o que gosta. Mas geralmente acontecem indicações. Por exemplo, eu posso indicar O Alquimista ou Um Amor para Recordar. Ambos são leves e trazem um aprendizado importante. Quando pegar o livro, nunca caía na besteira de olhar quantas páginas ele tem. Porque vai estar mais interessado em acabar do que realmente ler e entender. O primeiro livro que ler, pode apostar, vai demorar. Portanto, não tenha pressa. Leia uma página ou duas por dia. Devagar, sem perceber, vai estar lendo 5 ou 6, porque vai começar a entrar na historia, imaginar os personagens e vai querer saber o final. Com o passar do tempo, não se assuste ao ler um livro em um dia ou dois. É a magia da leitura.
Bom, agora que já sabe a importância da leitura, como ler, que tal começar a escrever? Não tenha medo...

Os Primeiros Textos

O Facebook é a rede social ideal para escrever, já que não existe limite de caracteres. É só escrever. Mas o que tu vais postar? Depende só de ti. É necessário iniciar. Ao invés de compartilhar vídeos e fotos, que tal escrever o que realmente pensa? Só compartilhar com frases curtas não simbolizam nada: "Eu penso assim.", "Falou tudo.", "Grande pensamento." O ideal é escrever um texto em cima. Pode compartilhar o que quiser, mas escreva. Demonstra teu ponto de vista. No começo vai ser difícil. Teus amigos vão achar engraçado, outras tantas pessoas vão reparar nos teus erros. Sim, tu vais errar. Mas faz parte do aprendizado. Não adianta ler muito e não praticar. Conheço pessoas que leem muito, mas são desastrosas ao escrever. Não praticam. Só leitura não é garantia de escrever bem. É preciso praticar, analisar erros e acertos. O mais importante: não use abreviações. Escreva sempre por extenso. Caso contrário vai virar um vício e vai querer abreviar tudo. Quando precisar escrever por extenso, nem vai saber como, porque só quer abreviar. Não abrevia. Escreveu mal, se expressou mal? Lê mais. Escreveu bem, se expressou bem? Lê mais ainda. É um processo sem fim, cabe a ti a evolução. Apenas toma cuido ao escrever. Ficar dando indiretas no Facebook, principalmente sobre amor e carência, é um ato infantil que resulta em muitos erros. Não faça isso. Escreva sobre teu dia, novas amizades que fez, o que te faz feliz. Se for escrever sobre o que incomoda, presta atenção. Quanto mais tu escrever, maior será tua evolução. O dia que precisar escrever um email ou fazer uma redação, verás o quanto é fácil e simples, afinal, tu escreve diariamente, né? Ou quase diariamente. Emails vai precisar enviar cedo ou tarde. Redação? Vestibular exige redação. Viu como é importante saber escrever?
Finalmente, vamos para as duas últimas dicas...

Palavras erradas e vicio de linguagem


Tu só vais errar uma palavra se quiser. Toda vez que tiver dúvida, basta digitar no Google a palavra. Vai aparecer o significado e formas de usar. Este recurso é fenomenal. Por essas e outras, me assusto quando vejo alguém escrevendo uma palavra errada. Daí tu deve estar imaginando: "Leio muito, escrevo bastante, não vou errar." Vai, claro que vai. Uma curiosidade: Ao ler, teu cérebro vai memorizar a palavra inteira, nunca letra por letra. Entende por que vai errar? Percebe o quanto é importante pesquisar uma palavra e seu significado? Se não souber escrever uma palavra e não quer pesquisar, têm duas opções: escrever errado para aprender ou não usar a palavra e mudar todo contexto. É contigo. Só não diga que não avisei.
Vicio de linguagem demonstra claramente tua pobreza de expressão. "Tipo assim", "Top", "Papai", "Mano", "Cara"... Entre outras tantas expressões e gírias. Tu vais usar com determinadas pessoas, amizades mais íntimas, digamos. Não pode carregar estas expressões por onde for. Se puder evita, elimina do teu vocabulário. Ninguém é de ferro e somos filhos da periferia, portanto, não faz mal, às vezes. Mas não exagera...


Espero que essas dicas possam ajudar na tua evolução textual. São dicas simples, que vão ajudar nos primeiros passos. Eu resumi o máximo que consegui, porque é um assunto muito longo e com vários macetes. Meu ponto forte é a comunicação, como escrever. Dicas de Português sugiro que busque ajuda de um professor, já que não sou. Concordância Verbal e Nominal, Regras de Crase, pretéritos e afins, são coisas que se aprende com o passar do tempo, usando a Gramática como auxilio. Regras de Português se contradizem e existem milhares de exceções. Se for ficar "apegado" nas regras, escrever vai ser muito mais difícil e até mesmo chato. Professores de Português podem ler meus textos e achar erros. Mas são erros mínimos que não comprometem em nada minha comunicação e o contexto geral. Bom, qualquer dúvida que tiver sobre comunicação ou as dicas que passei, pode me escrever um email que responderei. 

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sábado, 26 de agosto de 2017

Assalto ao Uber




Mamãe não estava em casa, tinha acabado de sair para visitar sua amiga inseparável, dona Neide. Eu estava sentado numa cadeira, no pátio, mexendo no celular. De repente, percebi que um carro parou na frente da minha casa. Reconheci o carro: Gustavo - O Estudioso. Fazia muito tempo que a gente não sentava para conversar, trocar ideias, debater diversos assuntos. O Gustavo chegou à minha casa era umas 19h00min, mais ou menos. Ficou por quase duas horas. Antes da sua partida, mamãe já havia retornado. Abraçou e beijou o Gustavo, o tratamento de sempre. Conversaram por alguns minutos. Gustavo olhou o celular e percebeu que era tarde, que precisava ir embora. Nos abraçamos e, em seguida, fui até a porta do carro para agradecer sua visita. Meu celular estava sem internet (desligo para conversar pessoalmente) e a bateria fraca. Ao entrar em casa, conectei ao Wi-Fi e avisei minha namorada que havia recebido uma visita, que ia tomar banho e já voltava para conversar com ela. Como de costume, deixei o celular carregando. Rotineiro, nada demais. Uma sexta-feira como qualquer outra. Tudo mudou quando entrei ao banheiro e me preparava para o banho. O que vou escrever é mais que uma historia. Presta atenção que é possível um aprendizado. Caso não entenda, no final do texto deixo uma orientação importante para motoristas de aplicativos. Os taxistas devem saber muito bem. Até mais. Leia.

Ouvi que mamãe conversava com alguém na porta da frente. Estranhei o fato, já que era um tanto tarde. Ao espiar de longe, acreditei que fosse meu amigo Maycon Pacheco, tamanha semelhança: Rosto bonito, cabelo bem penteado, com um cavanhaque. Uma visita sem avisar, inesperada? Quando o rapaz chegou mais perto, vi que não era meu amigo, tratava-se de um estranho. Coloquei de volta minha camiseta regata e fui para porta ver o que estava acontecendo. O rapaz estava apavorado, com os olhos pequenos; louco para chorar. Relatou que trabalha na Uber, que foi atender ao chamado de uma menina, na minha rua. Quando chegou, dois rapazes entraram junto e o renderam. Levaram o carro, um Onix bordo e a carteira com todos seus documentos. O carro não é dele, mas sim alugado.
Humildemente ele pediu um telefone para ligar. Tentou ligar para o 190, mas não obteve sucesso, em repetidas tentativas. Em seguida ligou para seu tio, que também é Uber; passou meu endereço e pediu para busca-lo. Era uma situação tão estranha, inesperada, que nem perguntei o nome dele. Só perguntei onde morava; Porto Alegre, zona norte, Sarandi: estava longe de casa. Mamãe deu para ele uma toalha da igreja abençoada e pediu para ele carregar. Como ele não conseguia falar com a polícia, pensei em pedir auxílio para meu vizinho, que é policial aposentado, talvez tivesse algum contato rápido. Mas eu não tenho o número da casa dele. Chamei o Anderson no Whats, expliquei a situação. Não demorou 5 minutos e o Anderson apareceu, se oferecendo para levar o rapaz na delegacia, já que seu irmão estava na sua casa e ele tem carro. Felizmente o rapaz havia conseguido falar com a polícia e seu tio estava chegando, num Onix preto. Quando o tio dele chegou, mais surpresas.

Acreditei que o tio dele viria sozinho, pegaria o rapaz e partiria. Estava na frente de casa, o Anderson e eu. De repente, no final da rua, avistei um Onix preto vindo. O carro andou lentamente e parou na minha frente. Pela semelhança, visivelmente o tio do rapaz. Então, em questão de segundos, entrou mais um carro na rua, e outro, mais outro, mais um... Havia cinco carros na frente da minha casa, sem falar em mais dois rapazes que apareceram a pé; todos motoristas da Uber. Rodearam o rapaz e começaram a fazer muitas perguntas: quem foi, onde foi, quantos eram, cor do carro, placa entre outras perguntas. Todos educados.
Naquele momento o rapaz já estava dentro do carro do seu tio. O Anderson e eu só observando, falando levemente e tentando ajudar. Decidiram que iriam primeiro para delegacia registrar ocorrência. Depois, acredito eu, tentariam achar o carro; geralmente abondam em algum lugar. Se despediram de forma educada, agradeceram pela ajuda. O Anderson havia acabado de chegar do trabalho, portanto estava cansado. Nos despedimos e retornei para dentro de casa, disposto a tomar meu banho e relaxar. No meio de toda essa confusão, minha namorada já estava ciente. Peguei o celular e avisei que, finalmente, tomaria meu banho. Tudo tranquilo, em paz. Banho tomado, curtindo o computador. Mamãe entra no meu quarto e diz alguma coisa. Tinha mais uma surpresa.

"Tem um carro preto parado quase na frente de casa. Um homem saiu do carro com o celular falando com alguém. Parece o tio daquele rapaz, mas não sei. Apaguei a luz da frente." Levantei da frente do computador e acalmei a mamãe, dizendo que, provavelmente, era o tio do rapaz. Abri a janela da frente e olhei. O Alex, meu vizinho da frente, estava parado no pátio observando. Decidi abrir a porta e sair para rua. De fato, era o tio do rapaz. Ao me ver, caminhou na minha direção. "Engraçado, está mostrando que o celular do meu sobrinho ainda está aqui na rua." Jogaram fora, durante a fuga. Neste momento meu vizinho Alex venho até nós, perguntando o que houve. O tio do rapaz resumiu a situação. O Alex perguntou:

- É um Iphone?
- Isso mesmo.
- Tá comigo. Meu filho achou na esquina. Vou ali pegar...
 
Então o tio do rapaz se virou para mim e perguntou: "Teu nome não é Mateus? Tu não é amigo da Letícia, que mora na Americana?" Fiquei um tanto surpreso. Respondi que sim. Ele disse que era ex-namorado dela e afirmou que me conhecia. Letícia... Mais de 6 anos que não falo com ela; seguimos caminhos diferentes. Nada contra, apenas não conversamos mais; perda total de contato. Não recordo de ter conhecido nenhum namorado dela, mas enfim.
O Alex retornou com o Iphone, a tela toda quebrada. Os ladrões viram que era um Iphone, possível de rastrear, tratam de jogar fora. Conversamos mais um pouco, o rapaz, seu tio, Alex, um outro motorista da Uber e eu. Disse meu nome, nos despedimos. A sexta-feira repleta de emoções diferentes chegava ao fim.

Motoristas da Uber são que nem taxistas; mexeu com um, mexeu com todos. É uma união bonita. Encerro este texto deixando uma dica para os motoristas de aplicativos. Muitos já devem saber, mas é valido reforçar: quando uma menina/mulher solicitar corrida no aplicativo, fiquem espertos. Se chegarem no local e encontrar meninos/homens juntos, perto ou se aproximando, não parem; passem reto. Já aconteceu com um amigo meu que é motorista da Uber. Chamaram ele, uma menina. Chegando avistou dois elementos parados num beco sem saída. O que ele fez? Passou reto. Não vale à pena arriscar. É muito perigoso. O que não pode é haver preconceito: "É mulher, não vou." Não é assim. Vai lá, sente o clima. Observa com cuidado; se sentir maldade, não pensa duas vezes e vai embora. Se o rapaz fosse um pouquinho "malandro", passava reto. Um rapaz educado, de família, trabalhador, de certa forma até puro. Acontece. Fico feliz que esteja bem, que não fizeram nenhuma maldade. Todo cuidado é pouco nos dias atuais, onde não temos segurança, nem para trabalhar...

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Depressão - A Doença Silenciosa




É uma doença que é difícil detectar os sintomas, assim, de forma imediata. São alguns níveis até chegar ao último estágio, onde o suicídio é o caminho para aliviar determinada dor, decepção ou, até mesmo, a perda de um sonho que não foi realizado. Este último caso aconteceu com uma menina que estudou na mesma escola que eu, nos tempos de Ensino Fundamental. Digo menina, mas era uma mulher linda demais, rosto angelical. Era casada. Estava entrando na casa dos seus 28 anos; uma vida inteira pela frente. Tal acontecimento pegou todos de surpresa: amigos, familiares, marido... Enfim, todos que faziam parte da sua vida. Antes do ato final, deixou um texto no Facebook relatando os motivos que a fizeram desejar a morte. Depressão profunda. Este nível da doença já não depende do paciente, mas sim, das pessoas que fazem parte do seu ciclo de amizades. Este senhor que vos escreve não é médico, tampouco especialista no assunto. Sei algumas coisas sobre o tema em questão. Confesso que já encontrei alguns níveis da Depressão na minha existência. Pequenos níveis, nada demais; meus amigos, minhas amigas, mãe e namorada sempre me ajudaram desde o princípio e não deixaram aprofundar a situação. Lutei muito, por vezes ainda luto, mas são casos e casos. O que quero escrever de agora em diante, não é sobre tratamento disso ou daquilo, simplesmente orientações para pessoas que conhecem quem sofre desta doença. Acredita, são pequenos gestos, mas que podem fazer a diferença na vida de alguém.

Pessoas que sofrem de Depressão não demonstram os sintomas. É quando estão sozinhas que tudo acontece; os pensamentos voam para longe e a negatividade começa a tomar conta. Não quer sair de casa, não quer tomar banho, se descuida com sua aparência, não se alimenta e só quer chorar. Um problema, por mais simples que pareça perante os olhos de outras pessoas, torna-se o estopim para uma atitude sem volta. É o fim. Portanto, se tem um amigo ou uma amiga que está mais em silêncio, socializa pouco e está com algum problema, procura e conversa. Se a pessoa desabafar contigo, relatar como se sente e o quanto sofre, por mais que pareça besteira, não critique. Tenta entender e dá conselhos positivos, construtivos. Uma pessoa que sofre Depressão, a última coisa que quer ouvir é que o problema dela não tem solução. Mostre alternativas, caminhos que pode seguir; faça-a se sentir especial, única e com capacidade de resolver o problema; torne-o pequeno.
A regra geral: o que é um problema fácil de resolver para ti, pode ser uma missão impossível para outra pessoa. O que te faz rir de uma situação pode fazer outra pessoa chorar. Para de pensar que Depressão é besteira. Sabe por que a maioria das pessoas não leva a sério? Porque a maioria dos casos é apenas fingimento para receber vantagem em alguma coisa. É importante saber filtrar os muitos casos que surgem. A família da moça que faleceu detectou que era um caso sério, porém, infelizmente, não puderam evitar o pior; outras pessoas poderiam ajudar e viraram as costas.

Por incrível que possa parecer, é possível salvar uma pessoa apenas conversando. Levar para passear, mostrar as coisas belas que existem no mundo. Transformar os problemas, que são gigantes, em pequenos obstáculos que vão ser atravessados. Fazer uma pessoa sorrir; mostrar suas qualidades e enfatizar sua capacidade de evolução. Nada pode ser mais belo do que viver. É isto que pessoas que sofrem Depressão precisam. Compreensível a situação de familiares que não sabem o que fazer; incompreensível supostos amigos que viram as costas e desdenham de algo tão sério e importante. Uma pessoa que sofre Depressão precisa muito dos amigos próximos; na maioria dos casos, só a família não basta. Tens um papel importante como amigo. Amizade não é somente para celebrar momentos de glória. Na dificuldade precisa estar presente, prestando solidariedade.
Se um amigo teu estiver numa situação difícil e tu fugir, evitar e desprezar saiba que tu és um verme. Não passa de um aproveitador. "Andamos juntos, morremos juntos", é assim que é, assim que deve ser. Qualquer ideia contrária não é amizade de verdade. Tem que ajudar, ficar perto. Imagina: sabe que um amigo está passando por dificuldade, está sofrendo... Depressão. "Ele é um guerreiro, vai conseguir sozinho. Quando se recuperar eu procuro." Que pensamento de perdedor. Digno de quem não sabe liderar. Como seria bom se Depressão fosse possível curar sozinho, sem ajuda de ninguém. Não é assim. Tomara que tu nunca perda um amigo ou uma amiga por causa desta doença. Se perder, não adianta escrever mil declarações e chorar horrores; certamente é o peso da consciência; poderia ajudar e se negou.

Eu costumo dizer que muito ajuda quem não atrapalha. Se não pode ajudar, simplesmente fica no teu canto e torça para que tudo dê certo. Se vai procurar alguém para criticar, falar besteiras e fazer julgamentos alicerçado no teu modo de viver, melhor repensar e ficar quieto. Como escrevi anteriormente, uma simples atitude pode desencadear situações incontroláveis e sem volta. Calma. Respira. Lembra que vai conversar com uma pessoa numa situação extremamente delicada, que quer receber atenção, carinho, se sentir especial. Se não pode fazer isso, não faça. Se insistir e tentar fazer as coisas do teu jeito, acreditando ser o certo, vai atrapalhar, e muito. Carinho, amor, empatia, generosidade, atenção... Nunca esqueça isso quando for falar com alguém que sofre Depressão.

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gustavo - O Estudioso




Eu nunca conheci uma pessoa que estudasse tanto quanto o Gustavo. Ele abriu mão de muitas coisas na adolescência, tudo por um sonho. É natural as pessoas ambicionarem estudar na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Todavia, poucas pessoas conseguem, porque é muito concorrida uma vaga, independente do curso que escolher. As provas são de alto nível. O Gustavo queria estudar Enfermagem, talvez, quem sabe, sua mãe foi uma inspiração; aposentou-se como Enfermeira. O fato é que ele focou nos estudos e acreditou, de forma cega, que conseguiria ingressar na UFRGS com suas próprias forças, sem cursinho Pré-Vestibular.
Por diversas vezes foi motivo de piada. A maioria das vezes ele estava presente, se divertia com as brincadeiras e afirmava categórico: "Vou vencer através dos estudos, vocês vão ver." A gente dava risada, mas não ousava duvidar. O que estou prestes a escrever aconteceu há mais de 10 anos atrás, e, naquele tempo, eu nem segundo grau completo tinha e estava remando nos estudos. O Gustavo, de piada, tornou-se inspiração. Às vezes ele vem me visitar, daí conversamos sobre estudos, os desafios que nunca param. É uma grande honra ter um amigo de tal calibre, dedicado e focado. Lembro-me de tudo como se fosse ontem. Será um prazer imensurável escrever sobre este amigo, sua metodologia e um pequeno pedaço da sua historia, que é muito ampla. Gustavo - O Estudioso, é uma pequena homenagem para um amigo, irmão, que me inspirou e pode inspirar muita gente que ambiciona estudar e vencer. Presta atenção na forma que ele estudava (estuda) e se autoquestiona: "Eu estudo de verdade?" Eu gosto de estudar, mas jamais alcancei o nível do Gustavo. Nem vou. Imagina, ele sabe de cor as normas da ABNT. Sem chance de competir.


As Redes Sociais Digitais existiam naquela época, e não era muito diferente dos dias atuais. Orkut e MSN, ambas extintas com a chegada do Facebook. Depois surgiu o WhatsApp. 10 anos atrás era normal as pessoas se reunirem em grupos para conversar. Nós éramos vizinhos: Gustavo, Anderson, Maiquinho e Elias (este último sobrinho do Maiquinho) e eu. Às vezes aparecia o Felipe, Rodrigo entre outros. Entre nós, o Gustavo era o que ficava menos tempo. Aparecia um pouco, se divertia, dava risada e já saía, alegando que precisava estudar. A gente insistia para ele permanecer, pelo menos mais um pouco, mas raramente conseguia convence-lo; estudar era sagrado e existia horários pré-determinados para suas atividades. Por mais que não entendesse a magnitude dos estudos, ninguém contrariava sua escolha, apenas respeitava e dava uma risada aqui e outra ali. Nada que ele não soubesse.
O Gustavo, na sua adolescência, um jovem bonito e sorridente, nunca foi de rasgar à noite atrás de baladas intermináveis, bebidas e beijos sem sentimento. Nada de gastar dinheiro à toa apenas para fazer os outros sorrir e arranjar amizades falsas. Sempre optou por ficar em casa, estudando, descansando, se preparando para o grande dia. Nunca ficou postando fotos dos seus estudos ou ficou se gabando dos seus inúmeros esforços. Concentração total. Ele tinha o entendimento que não poderia ter uma namorada, afinal, jamais  conseguiria dedicar para ela o tempo necessário para um relacionamento caminhar e dar certo. Certa vez ele tentou, mas levou um golpe forte do destino e quase pôs tudo a perder (....). Mas o Gustavo é um grande guerreiro.
Uma vez fui à casa dele (morava na esquina da minha casa) e conversamos bastante. Mostrou-me sua metodologia de estudos, o que me deixou espantando. Sem reação. Criou uma tabela com dias da semana, matérias que deveria estudar, hora de acordar, dormir e intervalos. Ele acordava 08h30min, tomava café da manhã leve, seguido de uma fruta. Depois iniciava os estudos. Almoçava meio dia e parava por uma hora, seu intervalo. Retornava e seguia estudando até umas 19h00min. Antes de dormir, revisava seus estudos. Sua rotina de segunda a sábado. Domingo costumava ficar livre durante o dia, mas de noite, uma vez mais, revisava os estudos. Como não era de ferro, a noite entrava no Orkut e mandava alguns recados; conversava no MSN normalmente (na época era internet discada, o famoso bote da meia noite. Os mais velhos vão entender). Algumas vezes transparecia seu stress emocional. Desconfio que lágrimas rolaram por sua face muitas noites, com medo de falhar. Não seria justo com ele, após tanta dedicação, não conseguir uma vaga na UFRGS. Eu não entendia nada de estudos naquela época, e não podia ajudar o Gustavo em nada de útil. Apenas torcer para que tudo desse certo. E o grande dia chegou.


Todos nós estávamos ansiosos pelo retorno do Gustavo. Sabíamos que a prova demoraria bastante. Ele estava focado, preparado. Estudou o ano inteiro. Nada poderia dar errado. Quando chegou do vestibular, parecia tranquilo, ciente que havia dado o seu melhor. O resultado demorou alguns dias; o gabarito oficial.  A vida seria justa com o Gustavo? Ele fez por merecer. Mas a vida não é justa e cobra o preço por um sonho. Ele não conseguiu uma vaga, e foi por pouco. Naturalmente ficou triste. Cabisbaixo. Talvez devesse chutar o balde, curtir a vida e dar um tempo nos estudos. Mas não desistiu e reforçou seus estudos, ingressando num curso Pré-Vestibular.
Em questão de estudos ele evoluiu de forma gigantesca. Magistral. Verdade que se tornou menos presente do que antes. Os estudos exigiam dele força máxima. Agora não estava estudando por conta própria, existiam matérias especificas que pediam atenção redobrada. De manhã sua rotina seguia firme. A parte da tarde que se alterou; agora ia para o curso Pré-Vestibular: chegava de noite e continuava estudando. Uma rotina pesada demais para um adolescente, mas leve para quem tem certeza do seu futuro e acredita em dias melhores. Sua inteligência estava anos luz da "gurizada da vila", e isto inclui este senhor que vos escreve e os nomes citados anteriormente. Num domingo à noite, em frente a casa do Maiquinho, ele deu uma surra intelectual em todos, através de um questionamento simples, mas intrigante: "Por que todos os animais tem rabo e o ser humano não tem? Qual a função do rabo?" A gurizada não segurou as piadas. O Elias então, conhecido por não perdoar nas piadas, mais o Maiquinho dando altas gargalhadas. O Gustavo é baixo, branco, suas bochechas ficaram rosa. Deu algumas risadas e concluiu: "A função do rabo é o equilíbrio. Os seres humanos não tem rabo porque tem o cerebelo (neste momento ele mostrou onde fica). Por isso que, pessoas que bebem, costumam perder o equilíbrio; o cerebelo é afetado." Todos se entreolharam, franziram o cenho, e o silêncio imperou. Já estava na hora do Gustavo retomar os estudos, se retirou feliz.


O tempo passou e uma nova chance surgiu para o Gustavo; ia encarar o segundo vestibular da UFRGS. Desta vez as chances de fracasso eram mínimas; não tinha como dar errado. Ao natural já estudava de todas as maneiras, agregando curso Pré-Vestibular, praticamente tornou-se o "Rambo dos estudos". E o resultado não surpreendeu ninguém: Ele passou. Finalmente, após inúmeros esforços, muita renuncia, realizava seu sonho. Dona Vilma, mãe orgulhosa, colocou uma faixa na frente da casa: "Bixo 2007 UFRGS - Enfermagem", mais o nome e palavras de carinho ao Gustavo, que merecia todas as homenagens. O Elias foi um dos que chorou ao saber que o Gustavo havia passado, emocionado com a conquista do amigo. Não cheguei a chorar, mas tinha uma certeza: ele nunca mais ia parar de estudar e alcançaria voos gigantes; rasgaria as nuvens e buscaria o mais alto grau nos estudos. Visivelmente apaixonado pelos estudos, apaixonado pela Enfermagem.
Os anos passaram calmamente e o Gustavo seguia estudando firme. Em um determinado ano mudou-se para Porto Alegre, pois o acesso a UFRGS ficaria mais fácil. A saudade batia o peito, e às vezes ele aparecia, sempre contando muitas historias. Numa dessas visitas ele anunciou que estava perto de se formar e, naturalmente, convidou todos. Eu não fui à colação de grau, mas fui na festa que ele ganhou, onde acabou discursando para os convidados. Tudo muito bonito. Formado pela UFRGS. Chegou o fim? Hora de curtir? Não. Desde o vestibular eu sabia que ele não ia parar, e de fato não parou; conquistou uma bolsa para estudar Mestrado na UFRGS e seguiu. A partir de então, as profecias dele se concluíram. Ele venceu e segue vencendo, através dos estudos.


Muitos anos depois o Gustavo me confessou: após ser graduado em Enfermagem pela UFRGS, ainda ficou quase um ano sem ganhar um real. Depois que entrou para o Mestrado que as coisas começaram a fluir. Hoje ele é bem sucedido: Enfermeiro num posto de saúde; ministra palestras; escreveu artigos, publicações em revistas na área da saúde. Entre outras conquistas sensacionais, que, por uma questão de ética, não posso revelar. O menino de ouro: este ano, 2017, vai tornar-se Doutor em Enfermagem pela UFRGS, com menos de 30 anos de idade. Ou seja, está a um passo de ser PhD, o grau mais alto nos estudos; torna-se um filósofo. O tão sonhado fim. Mas duvido que pare, certamente vai continuar se atualizando e buscando informações que agreguem. Se quisesse, poderia parar. Quem não conhece o Gustavo pode até sentir inveja, por ter isso ou aquilo. Por outro lado, quem conhece, sente muito orgulho e admiração; um exemplo.
E tu, estás estudando ou mais ocupado em publicar em redes sociais digitais para mostrar o quanto estuda? Quem estuda de verdade, não tem tempo. Aprendi com o Gustavo: quem quer estudar simplesmente estuda, sem necessidade de mostrar para ninguém. No momento certo, demonstra o conhecimento. Um dia ainda vou dizer: tenho um amigo PhD. Que Deus abençoe o Gustavo e que tenha mais glória do que já tem.

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